Blind Zero – The Night Before and a New Day

Os Blind Zero são uma das melhores bandas portuguesas da actualidade, senão a melhor. Provou-o A Way to Bleed Your Lover (2003) e agora é a vez de The Night Before and a New Day reforçar a ideia de que, se procuramos excelência musical no rock português, os Blind Zero são a principal referência. Depois da saída do guitarrista Marco Nunes (que actualmente faz parte da banda de Jorge Palma) e a consequente entrada de Pedro Vidal, a banda parece adaptar-se na perfeição ao dia seguinte. E The Night Before and a New Day é isso mesmo. É a fuga à face perturbada diagnosticada no álbum anterior, a transformação do ocaso em aurora.
E esta nova madrugada mostra-nos que os Blind Zero são agora uma banda madura que tenta aperfeiçoar-se em cada pequeno arranjo. A naturalidade com que a música parece escorrer é sinal claro de cristalização. Mas, ao contrário do que se possa pensar, The Night Before and a New Day não é o A way to bleed your lover 2. Antes, inova e experimenta caminhos pouco explorados pela banda nos álbuns anteriores. Ouvimos Miguel Guedes a envolver-se mais nas suas letras, talvez por não serem um retrato sinistro de uma existência decadente como no último álbum. São, por outro lado, mais leves, à imagem da música, e mais leves.
Os Blind Zero seguem agora por um trilho mais reluzente, deixando a escuridão de A way to bleed your lover. O single “Shine On” é o exemplo perfeito deste movimento de atracção pela luz, seja pelo título, seja pela grave metamorfose instantânea.
The Night Before and a New Day tem momentos extraordinários. “Gasoline Boy” é circunspecta mas audaz e parece quase um resquício do que os Blind Zero fizeram no o último álbum, num saudosismo louvável e libertador. “Can’t Hold You Down” é o retrato perfeito do que podemos encontrar neste álbum, uma espécie de viagem por refrões épicos e fortes, num rito sagrado que tem de ser cumprido à risca. Ninguém quereria outra coisa.The Night Before and a New Day provoca alguma estranheza em quem, como eu, se habituou a ouvir repetidamente o álbum anterior da banda. Menos agudo e penetrante, mais solto e subtil. É distinto e equilibrado. Os Blind Zero parecem ter atingido um ponto em que é complicado aperfeiçoar o jogo. Apreciemos então.
9/10 | Filipe Marques

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