José González – Veneer
De nome vincadamente latino (descendência argentina), José González nasceu e foi criado na nórdica Suécia. Navegando pelos fiordes da indie-folk, a música de González possui uma predominância de guitarras acústicas dedilhadas em melodias aconchegantes. Dir-se-ia mesmo, pelo tom em que é cantado, que Veneer é um íntimo segredo que todos poderemos compartilhar. Oiça-se “Slow Moves” ou “All You Deliver” para se sentir como tal.
Apesar de sobejamente conhecido na sua terra natal, José González apenas conseguiu atingir a esfera global através do ‘anúncio das bolinhas saltitantes’ da Sony, ao qual emprestou “Heartbeats” (uma das suas músicas mais impregnantes, diga-se). E eu, que lamento constantemente a saturação que os anúncios televisivos provocam nas músicas que os acompanham, tenho que modestamente agradecer aos tipos do marketing que escolheram esta música, pois abriram-nos o caminho para conhecermos um excelente músico.
Veneer (originalmente editado em 2003 na Suécia) é uma estreia mais que promissora; é um arranque feito de certezas e bons momentos. São curtas composições, a maioria nem chega à marca dos três minutos, que se apreciam como pequenos raios de sol que passam entre as persianas numa manhã de fim de Outono. Esfregam-se os olhos e sorri-se. A faixa muda.
José González parece ter uma voz cheia de fantasmas – tomem o sentido literal do termo, despido de sombrias acepções. Elliot Smith ou Nick Drake são duas dessas aparições. Em “Stay In The Shade”, onde a percussão passeia discretamente, revemos também o Tim Buckley de momentos serenos (oiça-se “Hallucinations / Troubadour” por exemplo). E como sabe bem encontrá-los novamente, mesmo que tenuemente.
González oferece-nos um disco tecnicamente bem executado, simples, minimalista e honesto. No entanto, e é aqui que Veneer se consagra, todas as suas características parecem desvanecer deixando um sentimento inundante: a certeza que presenciámos verdadeira beleza.
8/10 | Gonçalo Sítima
