Entrevista com Dapunksportif

Cerca de dois anos depois de se terem juntado em Peniche, os Dapunksportif editaram em Junho de 2006 o seu primeiro álbum de originais. Depois da final do concurso de Música Moderna de Corroios e da actuação no Super Bock Super Rock XL em 2006, os Dapunksportif saíram à rua com Ready! Set! Go! e mostraram-se ligeiros, barulhentos e… globais. O álbum de estreia deste colectivo demonstra que o rock em Portugal está de boa saúde. Esta entrevista – realizada algures entre os dias 25 de Julho e 3 de Agosto através de correio electrónico – reflecte algumas das vontades, ideias e influências destes rockers do Oeste.


Ready! Set! Go!
parece-me um álbum relativamente singular no panorama musical português. No entanto, se tivermos atenção ao que se faz lá por fora, o álbum não é propriamente inovador. Quais eram os vossos objectivos quando decidiram avançar com o disco?

O nosso maior objectivo é compor boas canções. Para nós, não existem fronteiras nem panoramas musicais neste mundo cada vez mais globalizado. Ainda bem que é um álbum singular em Portugal, nada melhor do que começar por cá a recolher apoio e elogios por parte de quem ouve e assiste aos concertos. Já chega de subestimar o que é feito em solo luso. Inovadores? Há muitos projectos internacionais que são bem menos inovadores que artistas nacionais e, no entanto, continuam a ter espaço para mostrar o que fazem sem preconceitos.

Queens of the Stone Age. O vosso som pareceu-me fortemente influenciado por eles no Super Bock Super Rock e passou-se o mesmo quando ouvi o álbum. É uma comparação que vos incomoda? Afinal, que nomes influenciaram e/ou influenciam a música dos Dapunksportif?

A comparação lisonjeia-nos porque são sem dúvida uma das maiores bandas rock da actualidade, mas não são os únicos. Ouvimos muita coisa de diferentes estilos musicais, tudo depende do momento e do estado de espírito. Tanto pode ser Black Sabbath como Carlos Paredes, Bjork, Dead Kennedys, Infectious Grooves e por aí fora.

O álbum, apesar de musicalmente pesado (com as guitarras e tal), acaba por ser bastante ligeiro no que diz respeito ao ambiente. É tudo muito descontraído e aplicável a uma bela viagem de carro até ao Algarve (em repeat, claro). Divertiram-se a fazer isto? Ou o facto de ser “trabalho” suplanta o divertimento?

Foi trabalho com divertimento à mistura. Não nos custa nada ter estas “preocupações” e, até ao momento, não há queixas a apresentar nem a salientar.

E porquê só sete músicas (que nem são muito grandes)?

São sete músicas que perfazem vinte e sete minutos de rock. Pensamos que é um trabalho onde, cada uma das canções, evocam o espírito e caminho do projecto.

Pelo que vi no SBSR, vocês pareciam estar a desfrutar bastante da situação em palco. Também pareciam estar muito à vontade. A velha oposição entre palco e estúdio… o que preferem vocês?

Não há preferências, cada uma tem a sua magia. O estúdio é para compor, gravar, regravar e o concerto para recriá-las partilhando com o público.

Ao vivo não se percebe mas no álbum há para lá alguns instrumentos que… bem, que não são guitarras nem bateria. É dedo do produtor ou vocês quiseram realmente dar uma ideia de que os Dapunksportif não são só rock ‘n’ roll com peso a mais?

Tocamos vários instrumentos, ouvimos muita música e gostamos de explorar sonoridades. No estúdio, tivemos a oportunidade de trabalhar com o Marco Jung na procura, exploração e aplicação de sons nas músicas. Foi uma experiência que vamos continuar a repetir.

Ready! Set! Go! tem um bónus: o videclip de “I Can’t Move (But My Head Runs Like a Horse)”. Foi uma tentativa de levar as pessoas a comprarem o disco em vez de fazerem o download ilegal?

Não necessariamente. Foi uma forma de divulgação do nosso trabalho noutra área, aliar a música à imagem e, por conseguinte a oferta do mesmo a todos os que adquiram o CD.

Qual é a vossa opinião sobre a situação actual relativamente à pirataria?

Está na consciência de cada um, nós não alinhamos nisso.

Sobre o exemplo dos Arctic Monkeys… acham que são os primeiros passos de uma nova forma de promover o trabalho musical de uma banda? Ou, por outro lado, será esta apenas uma excepção às regras estabelecidas pelas majors a nível internacional?O mais importante é dar a música a conhecer ao maior número de pessoas. Cada banda opta pela via que acha melhor, parece-me que os Arctic Monkeys já lá estão em cima. É cíclico, na Inglaterra, este tipo de ascensões rápidas, a “máquina” por lá trabalha bem.

Que música andam a ouvir agora?

A nossa cabeça é como uma jukebox, ouve-se de tudo um pouco: Pirates, John Lee Hooker, Mc5, Phill Spector Recordings, Ramones, Guitar Wolf, Suicidal Tendencies,Creedence Clearwater Revival…

Filipe Marques

agosto.2006

~ por hiddentrack.net em 3, Agosto, 2006.

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