Björk – Greatest Hits
Sintetizar em 15 músicas uma carreira como a de Björk, repleta de contradições e de diferentes atmosferas, será sempre uma batalha difícil de vencer. O problema começa logo pela lógica de só se escolherem singles, como se apenas estes valessem como demonstração da carreira do artista. A verdade é que normalmente músicas fantásticas são preteridas no processo de selecção de singles, seja por motivos comerciais, seja por motivos artísticos. E Björk não é excepção. Exemplos? “Come to Me”, “The Modern Things”, “Unravel”, “Heirloom” – só para mencionar os casos mais evidentes.
De fora desta colectânea de singles ficaram “Violently Happy”, “It’s Oh So Quiet”, “I Miss You”, “Alarm Call” e “Cocoon”. Regra geral pode-se considerar que se tratou de uma escolha apropriada, com excepção da exclusão de “Cocoon”, cuja única explicação poderá ser o seu pouco sucesso comercial. Mas tendo em conta que “It’s Oh So Quiet” teve bastante sucesso e também foi excluída, não parece que tal argumento faça sentido.
Em termos de novidades Greatest Hits apresenta as versões de “All Is Full of Love” e “Big Time Sensuality” que foram usadas nos vídeos, o que no caso particular de “All Is Full of Love” foi sem dúvida uma prova de lucidez, uma vez que a manter-se a versão da música integrada em Homogenic perder-se-ia aquele que muito provavelmente é o ponto alto da obra musical de Björk. “It’s in Our Hands” é a única música original e, não sendo má, não é certamente uma música que à partida merecesse fazer parte deste conjunto.
A qualidade das músicas de Greatest Hits, mesmo não representando o melhor de Björk, reproduz bastante fielmente o seu percurso, embora lhe dê um ar mais homogéneo, lógico e pacífico do que foi na realidade. Fica sobretudo o retrato de uma Björk épica e emocional, pondo-se de lado a irreverência e a excentricidade.
9/10 | João Oliveira

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