Björk – Volta

Volta surge com a promessa de ser um álbum mais divertido, menos sério que Medúlla (2004) e Drawing Restraint 9 (2005). Para isso Björk destruiu barreiras, apostando num conceito de música universalista, em que elementos africanos e orientais coexistem com hip-hop e electrónica. A mensagem de Volta é sobretudo de união, de paz e de respeito pelas diferenças, para que o Homem deixe de se comportar como um invasor selvagem e perceba que apenas existe uma tribo universal.

“Declare Independence” tem como mote a afirmação da individualidade, a não cedência perante pressões. A revolta manifesta-se não só nas palavras, mas sobretudo nos sons, criando aquilo a que se pode chamar uma versão trance dos Sex Pistols… Excessiva, estridente e agressiva, não é certamente um dos momentos memoráveis deste álbum.

Algo inexplicável é a reciclagem em “Vertebrae by Vertabrae” de “Hunter Vessel”, uma das músicas de Drawing Restraint 9. Essa música, que no contexto do filme acompanhava um barco na sua epopeia, fazendo sentido na medida em que era quase assumida como a consciência do barco, não faz em Volta qualquer sentido. Pelo contrário, o ritmo uniforme e circular dos instrumentos de sopro é de tal forma desconcertante e irritante, que ao fim de pouco tempo leva a que se ignore a música por completo.

Mas nem só de maus momentos vive o álbum. No meio de faixas boas mas pouco cativantes emerge “Wanderlust”, conciliando na perfeição os instrumentos de sopro, muito presentes em Volta, com um ritmo electrónico distorcido. O resultado é melancolia em estado puro, numa música sobre a insatisfação constante, a falta de raízes, o não pertencer a nenhum lugar.

A transversalidade do álbum, que vai do ambiente calmo e apaixonado de “Dull Flame of Desire” em dueto com Antony Hegarty, à energia irreverente de “Innocence”, gera uma sensação de falta de unidade, como se se estivessemos perante um grupo de músicas e não um álbum. Mas o principal pecado de Volta é a falta de melodias marcantes, algo que era uma das imagens de marca de Björk, vivendo-se mais da produção e dos efeitos sonoros conseguidos, que mesmo assim, por serem excessivos, são por vezes pouco interessantes. E é por isso que Volta não é uma experiência totalmente bem sucedida e nem será, certamente, um álbum que se destaque na carreira de Björk.

7/10 | João Oliveira

~ por hiddentrack.net em 9, Maio, 2007.

Deixe uma Resposta