Neurosis – Given To The Rising

Quase três anos após a edição de The Eye Of Every Storm (2004), que já se distanciava do avant-garde A Sun That Never Sets (2001), os norte-americanos Neurosis editam o seu nono registo – Given To The Rising. Este álbum revela-se então um trabalho muito ao estilo do que foi o anterior (que já recuperava alguns dos mais antigos condimentos que abrilhantavam o trabalho da banda). Sem parecer deslumbrante, encontramos músicas com personalidade.

O registo abre com “Given to the rising” e vai directo ao assunto, não há espaço para introduções distorcidas a deixar adivinhar o que se vai seguir. A postura é clara, directa, concisa, e sim, qualquer semelhança com “Burn” do anterior trabalho, não é nenhuma coincidência ou impressão. É um facto que ambas as músicas têm uma dinâmica muito próxima, o que quer então dizer uma de duas coisas: que este trabalho é aberto da melhor maneira possível ou que estamos prestes a ouvir um registo muito próximo do anterior. O riff é forte e coeso, e percebe-se de imediato que este é um dos temas que os Neurosis escolherão para a digressão de promoção do álbum (que desta vez consta apenas de quatro datas na Europa, sendo que uma delas aconteceu mesmo antes do lançamento do trabalho).

A expressão “dupla de luxo” assenta na perfeição aos temas que se seguem. “Fear & Sickness” e “To the wind”. “Fear & Sickness” vai-se gradualmente transformando num tema sujo e ruidoso e o mesmo acaba por acontecer com “To the wind”, cujos primeiros dois minutos são deslizantes, pós-rock introdutório, até à entrada distorcida da voz e a mudança de registo. Apesar da metamorfose que ocorre, são temas sólidos, especialmente “To the wind”, e de produção cuidada, onde tudo o que ocorre parece minuciosamente estudado ao pormenor.

Recheada de pormenores interessantes está “At the end of the road”. O trabalho de produção do registo vocal nos momentos iniciais do tema é por demais inebriante e o tema transpira a intensidade que se vai desprendendo ao longo de Given To The Rising. Os riffs são graves, como de resto é uma constante neste trabalho, bem como nos anteriores registos, e particularmente em “At the end of the road” ficamos com a sensação que estes são provavelmente os riffs mais pesados que a banda fez desde Through Silver In Blood (1996). E se não bastam os riffs, atentem em “Hidden faces”, poderá mesmo dizer-se que é um dos melhores temas dos Neurosis. Em Given To The Rising é sem dúvida o tema central, quase como se houvesse uma orientação para um tema em particular, que é decididamente este. Mais uma vez, a produção suja e grave, que confere uma textura muito particular a este tema, ajuda a criar um ambiente muito próprio ao longo do registo.

A música seguinte, “Water is not enough” foi o primeiro tema do álbum que os Neurosis mostraram antes da sua edição, sem qualquer pretensão a single. É um tema de facto cativante, com uma linha de baixo extremamente interessante, e um fim que se precipita num riff também ele interessante, com todos os requisitos do sludge progressivo em que os Neurosis vêm trabalhando. O álbum vai-se precipitando para o final. Segue-se “Distil (watching the swarm)”, um tema que alterna riffs arrastados com momentos praticamente inaudíveis, um pouco mais do que podemos encontrar ao longo do trabalho da banda californiana e que de resto não acrescenta nenhuma particularidade especial a Given To The Rising.

“Nine” é em tudo semelhante a “Shadow” e abre portas para o último tema do álbum, “Origin”. Este tema além de ser o mais longo de todo o registo traz à tona algumas influências folk, que nos sugerem por momentos A Sun That Never Sets. É um tema bom, forte, mas é fácil ficar com apetite para mais quando o registo termina.

Em suma, Given To The Rising é um álbum bom, é um regresso aclamado de uma banda que influenciou todo um espectro musical. No entanto, este trabalho está ainda demasiado colado a The Eye Of Every Storm, e apesar de terem sido recuperados alguns pontos fortes de Through Silver In Blood, este trabalho é um pormenor bom e agradável no universo fértil e sublime que os Neurosis construíram.

8/10 | Susana Jaulino

~ por hiddentrack.net em 18, Maio, 2007.

Uma Resposta to “Neurosis – Given To The Rising”

  1. [...] é um pormenor bom e agradável no universo fértil e sublime que os Neurosis construíram. (ver crítica) • [...]

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