11º Super Bock Super Rock

:: 27 a 29 de Maio de 2005

Em 2004, o Festival Super Bock Super Rock passou de evento urbano (disperso por várias salas do Porto, Lisboa e mesmo Vigo) a fenómeno centralizado no Parque Tejo. Este ano, a 11ª Edição do Festival SBSR apresentou-se no mesmo local, com um cartaz que reunia nomes como System of a Down, Prodigy, New Order, Moby, Audioslave e Marylin Manson, entre muitos outros.

Ao contrário da edição anterior, desta vez não houve filas intermináveis para bebida e comida. As condições melhoraram, havia mais reforços médicos e policiais, e muito mais oferta (desde farturas, bolos ou hambúrgueres do MacDonald’s) – até havia carrinhos de choque ou puffs para descansar.

1º dia:_27.05.2005

Pouco passava das 17 horas, quando os portugueses Bizarra Locomotiva subiram ao Palco Quinta dos Portugueses. Rui Sidónio trazia escrita no peito, em letras gordas, a palavra Ódio, título do novo trabalho de originais. Logo a começar, um tema mais antigo, “Growth Pains”. Seguiu-se a apresentação do novo disco e uma revisitação do Bestiário, em temas como “Escaravelho” ou “Gatos do Asfalto”. A alternância de bandas entre o palco principal e secundário voltou a acontecer este ano. Apenas alguns minutos separavam as actuações, sem margem para grandes atrasos.

Ao Palco Super Bock subiram The Eighties Matchbox B-Line Disaster, quase desconhecidos do público português. Provenientes de Brighton, trouxeram na bagagem os álbuns Horse of The Dog e The Royal Society, que apresentaram de forma energética, mas sem provocar grandes reacções na plateia. Seguiram-se os Primitive Reason no palco secundário, com o novo Pictures in The Wall. De destacar o étnico “El Caballero”, o electrizante “Eat My Bush” ou a recordação de “Hipócrita”.

O sol ia desaparecendo quando os californianos Incubus começaram a actuar no palco principal. Depois de terem promovido o seu mais recente álbum A Crow Left Of The Murder no Rock in Rio-Lisboa (concerto que confessam não ter corrido muito bem), agora voltaram a tocar “Megalomaniac”, ao mesmo tempo que recordavam temas como “Nice to Know You”, “Wish You Were Here” ou “Pardon Me”. Muita gente juntou-se para os ver, no meio do já habitual entusiasmo das fãs femininas. Um dos momentos altos do concerto foi uma viagem até aos 80’s, com uma versão de “Hungry Like The Wolf” dos Duran Duran. A multidão aguardava a entrada em palco dos System of a Down.

A banda de Serj Tankian mostrou-se com um look mais metaleiro do que era habitual e trouxe a Portugal o recente Mesmerize, terceiro álbum de originais editado este mês – o primeiro de um trabalho duplo, cuja segunda parte se intitula Hypnotize e só chega aos escaparates daqui a seis meses. Os novos temas, como “B.Y.O.B” (‘Bring Your Own Bombs’) ou “Cigaro” foram intercalados com os mais antigos, exemplo de “Chop Suey”, “Toxicity”, “Aerials”, “War”, “Suite-Pee” ou “Spiders”. Para acabar, o conhecido “Sugar” pôs toda a gente a cantar.

Depois, o Palco Quinta dos Portugueses recebeu um concerto de apenas 30 minutos dos Blasted Mechanism. O Blasted Empire, em versão mais curta, captou a atenção de todos, dando um pulo até ao novo álbum Avatara e provocando o êxtase com “Karkov” e o instrumental “The Atom Bride Theme”. A estrutura étnica, apresentada ao vivo com uma mecânica humana e robotização, nos habituais trajes futuristas, foram um bom aquecimento para o que se seguia…

O sample de “Their Law” abriu o concertos dos Prodigy. Always Outnumbered, Never Outgunned, de 2004, marcou o regresso da banda às edições. Keith Flint e Maxim continuam frenéticos, irrequietos e provocadores. Depois de terem passado pela segunda edição do festival Super Bock e pelo festival Imperial ao Vivo, voltaram a Portugal para fazer uma visita obrigatória a temas como “Breathe” “Smack My Bitch Up” ou “Firestarter”. No meio do cansaço, algumas pessoas ainda ficaram a pedir o “Voodoo People”, mas não houve encore.

2º dia:_28.05.2005

O segundo dia do SBSR ficou localizado algures entre o punk e a electrónica. Um dos momentos de destaque foi a actuação dos Hives, em estreia por cá. Como de costume, apresentaram-se de fato (em tons de preto e branco) e com uma postura que para muitos é sinónimo de arrogância. Logo a começar “Abra Cadaver”, seguida por “Die, All Right!”, “Statecontrol”, “Walk Idiot Walk”, “Hate to Say I Told You So”, “Diabolic Scheme”, “Main Offender” e “Two Timing Touch and Broken Bones”, acompanhadas por corridas de Howlin’ Pelle Almqvist pelo palco e uma promessa de voltar. No céu, um arco-íris juntou-se ao pôr do sol, dando um cenário perfeito que só foi estragado pelo vento. E como se costuma dizer que no final do arco-irís há sempre um tesouro, os Hives sublinharam que eram o “nosso tesouro”.

Marcos da música pop, vindos de Manchester e ícones de uma geração, chegaram os New Order que se mostraram-se felizes por estar em Portugal, aquela a que chamaram a “terra do Cristóvão Colombo”. Esquecendo as gaffes, a banda apresentou o novo álbum Waiting For The Siren”s Call, que não acolheu críticas muito favoráveis, e também tocou os clássicos ”Blue Monday” (numa versão mais electrónica em que de início se ouvia a voz de Kylie Minogue cantando “I Just Can´t Get You Out Of My Head”) ou ”True Faith”. Bernard Sumner e companheiros incluíram também alguns temas dos Joy Division no alinhamento, como “Love Will Tear Us Apart” ou “She’s Lost Control”. Uma forma simpática de assinalar os 25 anos que este mês se assinalaram sobre a morte de Ian Curtis.

No palco secundário começaram a ouvir-se os portugueses The Gift. A banda de Alcobaça, liderada por Sónia Tavares, fez uma rápida passagem por AM-FM. Antes disso, já tinham passado pelo palco secundário nomes como Boss Ac, Easyway, Expensive Soul, Fonzie e Loto. A encerrar a noite, Moby. O cabeça-de-cartaz lançou recentemente o seu quinto registo de originais, Hotel, de onde foi retirado o single “Lift Me Up”. O DJ e produtor passou há dois anos pelo festival do Meco, deixando vestígios da sua paixão pela música house e techno. O espectáculo de luzes e sons deslizou entre ambientes pop e underground, tornando difícil não ficar a marcar o ritmo com o pezinho. Uma boa forma de terminar a noite.

3º dia:_29.05.2005

No último dia do festival, ainda com o sol como cenário de fundo, os norte-americanos Mastodon mostraram porque a crítica elegeu Leviathan como álbum do ano, para um público ainda reduzido e que começava agora a preencher o recinto.

Já com 15 anos de carreira, os portugueses Ramp aqueceram o palco secundário, preparando o terreno para a entrada dos Slayer no Palco Super Bock. Depois de concertos em 1994, 1998 e 2002, a banda norte-americana voltou a solo nacional para tocar pouco mais de uma hora – mas que foi tempo suficiente para exibirem o culto que possuem à sua volta. Temas como “War Ensemble”, “Hell Awaits”, “Raining Blood” ou “Angel of Death” fizeram com que muita gente corresse para perto do palco, deixando para trás o copo de cerveja. E como seria de esperar, Iggy Pop apareceu cheio de energia, de novo acompanhado ao vivo pelos Stooges – grupo de Detroit responsável por uma autêntica revolução na sonoridade do rock, entre 1967 e 1973. A expectativa era muita e a postura de Iggy foi polémica e carismática, como também seria de esperar. Exemplos disso são os incitamentos a que o público subisse ao palco e o facto de vermos um homem de quase sessenta anos passar um concerto inteiro em tronco nu e com as calças sistematicamente para baixo. Só ficou a faltar “Lust for Life” ou “Passenger”. A noite avançava e aguardava-se a entrada em palco dos Audioslave. Aos temas mais conhecidos da banda (como “Cochise” ou “Like A Stone”) e aos novos temas retirados de Out Of Exile juntaram-se canções célebres de Soundgarden, como “Spoonman” ou um “Black Hole Sun” acústico, a par músicas de Rage Against The Machine, agora cantadas por Chris Cornell (o que causa imediatamente alguma estranheza ao ouvido), caso de “Bulls on Parade”, “Killing In The Name” e “Sleep Now In The Fire”. Seguiram-se os Blind Zero, no palco secundário, que celebram onze anos de carreira e acabaram de lançar um novo trabalho, The Night Before And A New Day, que marca um afastamento de uma sonoridade que remetia para o rock e grunge, seguindo agora por um caminho mais emocional e melódico, menos preso à distorção das guitarras. Para fechar o festival, Marylin Manson. A espera deixou muita gente ansiosa. Muitos minutos depois, começa-se a ouvir “Prelude (Family Trip)” e então a banda entra em palco, com Brian Warner (mais conhecido como Mr. Manson) de candelabro na mão. O factor cénico esteve sempre muito presente, a acompanhar temas como “Beautiful People”, “Tainted Love”, “Personal Jesus”, “Dope Show”, “Sweet Dreams” ou “mOBSCENE”, retirados do álbum que compila alguns dos melhores momentos da banda – Lest We Forget. Em formato de “Best Of”, este disco ilustra uma passagem desde o “shock-rock” agressivo que marcou o seu início de carreira, até ao glam rock industrial e à reinvenção dos decadentes vaudevilles alemães dos anos 30. No encore, um palanque e “Antichrist Superstar” fizeram cair o pano sobre mais uma edição do Festival Super Bock Super Rock.

Carla Reis

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 29, Maio, 2005.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: