Queens of the Stone Age – Lullabies to Paralyze

Lullabies to Paralyse (2005) é o quarto álbum de originais dos Queens of the Stone Age – o primeiro sem a participação do baixista Nick Oliveri. Enganem-se os que previam o pior. Não, este álbum não é uma porcaria. Nem sequer mauzinho. É diferente da mesma forma que os anteriores o foram, tornando-o, até certo ponto, igual. Filosofias à parte, o selo de qualidade está garantido e Josh Homme, mesmo sem a ajuda de Oliveri, continua a contar com um grupo de músicos de grande nível.

Acelerada e ensurdecedora, a música dos QOTSA é quase uma marca registada. É impossível não reconhecer uma música da banda nos cinco segundos seleccionados aleatoriamente durante um hipotético zapping pelas estações de rádio. É esta distinção que marca a carreira dos QOTSA até hoje. E, nisso, Lullabies to Paralyse não foge à regra. Mantém o som característico da banda, talvez mais lento (talvez mais adulto ou talvez se sinta a falta de Oliveri), talvez mais sério (ou não).

Lullabies to Paralyse
é mais artístico e cuidado do que o multifacetado Songs for the Deaf (2002). A fantasmagórica “Burn the Witch” é o exemplo concreto deste caminho aparentemente mais aparatoso, menos directo, por que o álbum segue.

Não faltam, ainda que com menos qualidade do que a fenomenal “Go With The Flow” ou “No One Knows” do álbum anterior, temas com potencial comercial, como o primeiro single “Little Sister” ou mesmo “I Never Came”, que nos mostra Josh Homme num registo um pouco diferente do habitual no que diz respeito à voz.

Quanto a uma das jóias da coroa deste álbum, “Everybody Knows that You’re Insane”, a música que acompanha o vídeo que tem sido transmitido ocasionalmente na televisão em que um (suponho eu) chinês todo nu salta e grita e levanta pesos, se senta na sanita e se deita na neve… só pode ser autobiográfica. Outra, “Someone’s in the Wolf”, talvez não seja autobiográfica, mas está irritantemente bem conseguida, com riffs apaixonantes, uma bateria caída do céu (salvo seja) e momentos antagónicos entre o caos total e o quase silencioso.

Lullabies to Paralyse não cumpre o papel de “álbum mais pobre devido à saída de Nick Oliveri” e muito menos se apresenta como uma repetição aborrecida e grotesca de sons anteriores. Mais do que simplesmente o novo álbum dos Queens of the Stone Age (o que, só por si, não seria nada mau), este trabalho é a prova documental de uma banda sempre inovadora em (mais) um momento de genialidade.

9/10 | Filipe Marques

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 24, Junho, 2005.

 
%d bloggers like this: