Pelican – The Fire In Our Throats Will Beckon The Thaw

A Hydra Head Records, editora dirigida pelo multifacetado Aaron Turner (Isis, Lotus Eaters, Old Man Gloom), é conhecida por apostar no lançamento de novas bandas que consigam inovar e abrir os poros de um organismo por vezes saturado como é o da música actual.

Surgem novos estilos, novos géneros musicais e torna-se cada vez mais difícil catalogar e etiquetar determinadas bandas que apostam na fusão de influências diversas aliadas a uma vontade de progresso. Esta dificuldade revela-se ainda mais com as bandas apoiadas pela Hydra Head, como é o caso dos Pelican. Droner metal, alternative metal, new doom metal, são algumas das etiquetas importadas que se poderiam aplicar a este pássaro gigante, mas deixemo-nos disso e que a música possa falar por si só.

Os Pelican apostam em composições robustas que resultam em faixas que ultrapassam os oito e nove minutos, feitas de diferentes tonalidades e diferentes intensidades e sempre sem uma única palavra. Enganem-se aqueles que, enquanto escravos de refrões e frases feitas, poderão achar imprópria uma banda “somente” instrumental. Os Pelican fazem com que se esqueça que a posição de vocalista existe sequer.

The Fire In Our Throats Will Beckon The Thaw é o seu segundo álbum de longa duração, sucede ao aclamado Australasia lançado em 2003, e traz consigo sete novas faixas de completo deleite sonoro.

Com uma noção melódica que os distancia e evidencia dos seus pares, permitindo que se possam estender durante largos minutos numa só composição sem que o ouvinte se entedie ou se disperse. TFIOTWBTT assume-se como um álbum mais despido de artíficios e acústico que o seu anterior. Sem nunca desprover das guitarras pesadas e dos ritmos viscerais, este é um álbum que atinge momentos de sublime beleza com naturalidade, como uma tempestade em campo aberto ou uma queda de água isolada e violenta.

“Last Day Of Winter” inicia o álbum num ritmo lento e compassado e é composto por diferentes piques climáticos, terminando com um repouso de cordas acústicas que relembram os dias de chuva ultrapassados. Segue-se “Autumn Into Summer” num constante crescendo de intensidade que culmina em alguns minutos de peso e groove que provocarão, com certeza, algum movimento cervical intenso.

“March To The Sea” tinha sido editada alguns meses atrás, num EP que serviu de “aperitivo”, e encontra em álbum uma versão distinta com cerca de metade do tempo de duração. Esta poderá ser a faixa mais ruidosa e acelerada do álbum, sem destoar, contudo, do ambiente geral onde o ouvinte já se encontra impregnado.
A quarta faixa, depois de decorridos 31 minutos, é um interlúdio apaziguador composto por várias guitarras acústicas que preparam a chegada da segunda metade do álbum. Segue-se “Red Ran Amber” que segue a linha de faixas anteriores trazendo de volta a força dos Pelican e o álbum termina com “Aurora Borealis” e “Sirius”, duas “pequenas” músicas que contém em si momentos de suave harmonia e de bela composição. O álbum termina após 58 minutos pedindo que se volte a pressionar play e que regressem as nuvens com rasgos de sol, o pó estelar descendente e um outro alongado voo do pelicano.

8/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 1, Julho, 2005.

 
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