FURY FEST 2005, I

:: 24 de Julho de 2005

O primeiro dia ficou manchado por uma grave falha da organização que tardou em disponibilizar os bilhetes para as centenas daqueles que ainda não os tinham comprado fazendo com que as filas se amontoassem e a paciência depressa evaporasse debaixo do sol abrasador. O atraso fez com que algumas bandas iniciais fossem canceladas, a maioria francesas e desconhecidas do grande público, e todo o horário fosse alterado, pondo em causa a organização e sincronização dos concertos (a ordem das bandas nos três palcos estava de forma a não haver sobreposições de bandas semelhantes).

A primeira actuação foi dos suecos Cataract que apresentaram um metalcore suficientemente agressivo e pujante para satisfazer a larga ânsia dos que já tinham entrado no recinto. Intercalando partes rápidas com breakdowns típicos do género, os Cataract conseguiram abrir as hostes como lhes competia.

Ainda com alguma confusão entre horários das actuações e preparativos de acampamento, a actuação que se seguiu foi dos Walls Of Jericho. Liderados pela vocalista Candace, os Walls Of Jericho eram uma das raras repetições da edição do ano anterior e com uma vasta aderência do público proporcionaram um espectáculo bastante energético onde não faltaram os movimentos de artes marciais aéreos.

Algum tempo depois chega a primeira actuação esperada da noite, os neuróticos Fantômas. Com o lendário baterista de Franka Zappa e Steve Vai, Terry Bozio no lugar de Dave Lombardo (em tour com Slayer) os Fantômas apresentaram-se com um set composto na sua maioria por temas de Suspended Animation e algumas das suas músicas mais conhecidas, como “Good Morning Slaves” ou “The Omen: Ave Satani”. Um concerto tipicamente caótico e cheio de sons estranhos emanados pelo “maestro” Mike Patton. Notou-se, porém, a falta de Lombardo atrás da bateria, nomeadamente nas partes mais agressivas onde os seus breaks contém uma singularidade inimitável.

Os High On Fire tinham sido adiados para o final do dia e Jesu, banda do ex-Godflesh J.K. Broadrick não compareceu na hora prevista. Aparentemente estes chegaram mais tarde e deram um concerto mais reduzido, do qual apenas foi possível assistir a alguns minutos após sair do palco principal onde ainda tocavam os Fantômas. Porém, ficou a marca de uma actuação bastante boa e potente, onde o trio norte-americano apresentou o recém lançado álbum homónimo. Enquanto em álbum os sintetizadores parecem sobrepor-se, ao vivo a música dos Jesu revela-se muito mais crua, tendo a guitarra de Broadrick uma especial predominância, envolvendo a audiência em riffs hipnotizantes, lentos e devastadores.

Centenas de pessoas esperavam a entrada dos suecos Cult Of Luna e após 20 minutos de impaciência a organização anuncia, mais uma vez, que estes não iriam comparecer pois não tinham chegado ao festival. O dia começava a tomar um tom de desilusão e frustração.

Chega então a hora dos High On Fire subirem ao palco, e que concerto. O trio norte-americano apresentou durante cerca de 40 minutos um performance energética e exímia com o seu metal sludge e stoner de proporções titânicas. Composto por ex-elementos dos Melvins e dos Sleep, os High On Fire são uma banda experiente que revela em palco os anos que têm na bagagem. Um dos pontos altos do dia e, quiçá, de todo o festival.

A próxima actuação, no segundo maior palco do festival, coube aos My Dying Bride que entregaram, no seu estilo inconfundível encabeçado por Andy Craighan que sofria visivelmente enquanto interpretava as músicas, um concerto carregado de melancolia.

Durante a actuação dos My Dying Bride somos informados que os Cult Of Luna sempre chegaram e irão actuar mais tarde, sobrepondo-se a Jello Biafra com os Melvins. Escolha difícil, mas necessária, e recaiu sobre os suecos.

Actualmente considerados como uma das grandes revelações das novas tendências do metal, os Cult Of Luna apresentaram em França um set composto maioritariamente por músicas do seu último álbum, Salvation. Uma sala composta por menos de metade daqueles que estiveram presentes quando foi anunciada a sua ausência algumas horas antes, mas que progressivamente ficou bem composta. O concerto iniciou com “Echoes”, a faixa que abre o álbum e que resulta perfeitamente para inebriar a audiência no espírito necessário. Apesar do compasso lento e ambiental, mas bastante pesado, das suas composições, os Cult Of Luna são bastante energéticos em palco, elemento que se estende até ao público que abanava vigorosamente a cabeça música após música.

O single “The Watchtower” marcou a presença do álbum de The Beyond de 2003 e “Leave Me Here” foi um dos pontos altos, pela sua melodia que se entranha à primeira audição a que ninguém ficou indiferente. “Waiting For You” trouxe um momento de recuperação através dos seus largos minutos de serenidade instrumental tendo Klas Rydberg, vocalista da banda, saído de palco. O seu regresso trouxe consigo o final apoteótico da música e do concerto simultaneamente. Uma inesperada actuação que colocou naqueles que a presenciaram um sorriso de orelha a orelha.
A banda explicou-nos mais tarde que o atraso foi devido ao facto de ninguém da organização do Fury Fest os ter ido buscar ao aeroporto de Paris, tendo a própria banda que viajar numa dispendiosa viagem de táxi até Le Mans. Curioso.

Regresso à tenda com o corpo a gritar por descanso depois de gritar em vários concertos suados.

Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 24, Julho, 2005.

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