Kinski – Alpine Static

Os Kinski, quarteto de Seattle e praticantes de um rock experimental, massivo e regado com muito Krautrock, regressam aos discos este ano com Alpine Static, segundo longa-duração e sucessor do EP  Don’t climb on and take the holy water lançado em 2004 pela Strange Attractors.

Já com alguns anos de existência e com palcos partilhados com bandas como Comets on Fire, Oneda e Trail of Death, os Kinski reafirmam-se aqui como uma banda forte e madura no que respeita à composição, sem medo de experimentar e de rasgar qualquer melodia com a sua crueza sónica.

Apesar da ausência da pista vocal neste registo, este álbum não se pode considerar um qualquer álbum instrumental, trata-se apenas de um registo de puro rock, servido bem cru como deve ser.

Alpine static, explosivo e energético, parece saído de um qualquer filme documental sobre erupções vulcânicas tal é a sua suavidade e clareza em algumas partes, rasgadas por completo por explosões e devaneios experimentais.

Os Kinski viajam através de mundos calmos e serenos, construindo melodias apaziguadoras apenas com o objectivo de mais tarde nos acordar, de nos ofereçar uma chapada musical, paredes imensas de caos sónico parecem emergir de onde menos esperamos, fazendo-nos elevar por vezes a um estado de euforia intenso.

O disco abre com uma faixa de rock musculado e viril. “Hot Stenographer” dá assim as primeiras passadas no que é um disco cheio de surpresas dentro de surpresas. Ora calmo ora explosivo, ora frio ora quente.

À segunda faixa começamos a perceber que o quarteto cada vez mais vinca o seu lado experimental cortando assim o ritmo rockeiro da faixa para uns breves momentos de guitarras em modo espacial e frenético para mais tarde se fundir novamente com o ritmo rock e cavalgante de “The wives of Artie Shaw”.

Poderosa e avassaladora, “The party which you know will be heavy”, revela-se uma faixa em constante mudança de ritmo que nos lembra uns Sonic Youth. Aliás, arriscaria mesmo dizer que este álbum está todo ele temperado com espirito ‘SY’ q.b.

“Passed out in your lawn” é mais um tema de nos deixar electrizados tal é o jogo de guitarras, desconcertantes, por vezes em agonia, pura orquestra sem maestro, cruzando-se em sons espaciais e obscuros com que termina, dando assim espaço para o nascer de “All your kids have turned to static”, tema que nos acalma, que transporta alguma serenidade, afinal trata-se de uma combinação quase ela perfeita de uma guitarra triste, melancólica e de uma flauta. É um momento importante no disco, é um acalmar, um respirar bem fundo para iniciar novamente  a viagem alucinante e experimental que a faixa seguinte transporta. “The snowy parts of Scandinavia” é possivelmente a faixa mais “arriscada” do disco, rasgada toda ela pelos feedbacks nela presentes, um misto de improvisação com algo bem delineado e pensado, um verdadeiro soco no estômago tal é a sua crueza.

A maior surpresa surge no fim, “Waka Nusa”, traz consigo o encerrar do disco, um tema tocado com uma guitarra simples e melodiosa que se cruza com uma guitarra acústica numa viagem de cerca de seis minutos, um fechar de olhos e estamos perante uma paisagem deserta, harmoniosa, relaxante que nos deixa (finalmente) respirar de uma forma livre e calma. Um tema a que arriscarei chamar de pós-rock que oferece um final intimista, um encerrar perfeito.

Alpine Static é um verdadeiro soco sonoro, uma muralha sónica e viciante que não nos deixa ficar indiferente. De ouvir e gritar por mais.

8/10 | Sérgio Lemos

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~ por hiddentrack.net em 25, Julho, 2005.

 
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