The Dillinger Escape Plan – Calculating Infinity

thedillingerescapeplan-calculatinginfinityQuando surge uma banda que consegue transformar todo um paradigma musical, seja em que género for, é quando um apreciador de música consegue sentir-se verdadeiramente entusiasmado. Os Dillinger Escape Plan começaram por fazer precisamente isso desde o início e com o seu primeiro álbum de longa duração concretizaram-no plenamente. Pegando no hardcore, no metal e no jazz e criando animal de simbiose perfeita, caótica e de agressividade extrema.

Não se confunda, no entanto, o caos que os Dillinger Escape Plan produzem musicalmente com um desferir casual de notas, riffs ou ritmos. Enganem-se aqueles que, acostumados à serenidade compassada e previsível, tentam retirar primor técnico e de construção musical às faixas de Calculating Infinity. Este é um álbum complexo e fruto de um trabalho cuidadoso e meticuloso em criar mais do que o normal – atrever-me-ia a dizer mais do que o que é humano. Adornado por elementos electrónicos que fazem lembrar maquinaria fabril, os D.E.P. deverão ter em si próprios algo de mecânico também – só assim se explica a velocidade, a precisão e o frenesim que conseguem criar com os seus “meros” instrumentos.

A abertura com “Sugar Coated Sour” é um murro violento no estômago e que inicia o assalto físico. Em “43% Burnt” somos presenteados com um dos melhores arranques de uma música alguma vez pensados e conseguido através de um riff de Ben Weinman bastante simples e espontâneo. A música decorre em contra-tempos constantes, riffs frenéticos capazes de deliciar o ouvinte mais céptico ou o mais distraído. “Jim Fear” prossegue a mesma atitude, intensificando-a ao ponto de, ao passar do primeiro minuto, ser impossível controlar o corpo com o bombardeamento sonoro de que se é vítima.

Os momentos mais calmos são-nos trazidos por interlúdios como “*#…”, “Calculating Infinity” ou “Weekend Sex Change” que contêm variados elementos de jazz, electrónica e até drum n’ bass. O jazz é, de facto, um elemento preponderante em Calculating Infinity, demonstrado tanto nas guitarras e no seu intercalar exímio, como nos ritmos complexos de Chris Pennie. Em “4th Grade Droupout” atinge-se um pique emocional inebriante que sucede a alguns momentos de percursão e expansão atmosférica, atribuindo ao álbum uma diversidade orquestrada harmoniosamente.

Capaz de transformar a forma como se encara a música dita pesada actual, os Dillinger Escape Plan demonstram como ainda não se inventaram todas as fórmulas, nem se descobriram todos os segredos – a verdade é que somente o conformismo e a falta de arte faz com que se sature a criação de música.  O cálculo do infinito poderá ter, coincidentemente, a mesma impossibilidade que a compreensão plena do impacto que a música do quinteto norte-americano teve e terá. Este não é um álbum fácil de ouvir, não chegará a um público vasto, nem terá lugar na rádio ou na televisão, mas essa nunca foi a sua intenção.

Não aconselhável a ouvidos sensíveis ou a mentes adormecidas.

9/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 21, Agosto, 2005.

 
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