The Arcade Fire – The Arcade Fire

thearcadefire-thearcadefireSão das bandas mais bem cotadas do momento. Funeral (2004) conseguiu granjear elogios um pouco por toda a crítica internacional e, aparentemente, os Arcade Fire entretêm como muito poucos. Ao escrever sobre a banda, a primeira palavra que me vem à cabeça é “anca” – fruto da adesão massificada da imprensa ao termo nas reportagens dos concertos e nas críticas ao primeiro longa-duração dos Arcade Fire e, confesso, fruto de alguma atenção prestada ao álbum. É despertador: a dança, mesmo para quem não sabe e não gosta e não quer, é inevitável.

Mas, antes de haver um álbum de estreia, foi editado The Arcade Fire (2003), o EP homónimo (com edição suportada pela própria banda) que marca o início dos trabalhos e, agora, a continuação do fenómeno, com a reedição (em 2005) pela Merge.

Constituído por sete temas estranhos e algo familiares, The Arcade Fire é um bocado de história, não pela sua relevância absoluta, mas pelo que vem a seguir. Canções como “No Cars Go” ou “The Woodland National Anthem” demonstram tanto o potencial como a imaturidade – que se mantém disfarçada sob o espectro de uma adoração colectiva – de uma banda em crescendo artístico. A música dos Arcade Fire é tão, mas tão simpática que quase é adorável só por isso. O tema é o mesmo do de Funeral: adolescência – “Us Kids Know” é já um lema. The Arcade Fire é a apalpação de terreno bem conseguida de uma banda em plena experimentação musical. Ainda assim, há algumas diferenças interessantes. Se em Funeral, a vocalista Régine Chassagne canta pouco, em The Arcade Fire… canta muito. Não sou grande fã, admito, mas não choca; é um refúgio refrescante (ainda que, se pensarmos bem, deve haver uma razão para Funeral ter um menor peso da voz feminina nas suas músicas).

Comparações temporais à parte (as pessoas mudam e tudo o resto também), há alguns temas que merecem especial atenção. “Wake Up” é momento ora abaladado (aquilo a que alguns especialistas poderiam começar por chamar rodstewartização do sujeito), ora estupidamente dançável – e a passagem que decorre de um para o outro é tão deliciosa quanto possam pensar. “Vampire / Forest Fire” é tão catchy que arrepia e consegue aliar uma instrumentalização eficiente à voz dramática de Win Butler, criando uma canção suave, interessante e bem conseguida.

Sim, este EP é todo ele delicioso… só que em menor quantidade em relação a Funeral. Compreendem-se as razões. Nós desculpamos.

7/10 | Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 29, Agosto, 2005.

 
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