München – München EP

É o som da nova urbanidade acústica, dizem eles. Whatever.

O som dos München é difícil de descrever. Por vezes, parece que estão simplesmente a ensaiar os “Parabéns” na guitarra. Outras alturas há em que tudo isso se transforma num exercício perfeitamente lógico, como se fizesse parte de um qualquer masterplan ultra-secreto. É certo que é experimental. Esta etiqueta é irrefutável. Mas, mesmo assim, é claramente insatisfatória. O que é a experimentação? E o que é que não é experimental?

Dúvidas existenciais à parte, este München EP é uma surpresa agradável. De Lisboa – e do nada, talvez – surgem Bruno Duarte, Mariana Ricardo, João Matos, Paulo Amorim, João Nicolau e Nuno Morão: os München. O EP editado através da Fnac em parceria com a Bor Land no início de 2005 marca a estreia oficial da banda. São quatro temas apoiados em guitarras, percussão e sabe-se lá mais o quê que comunicam numa linguagem estranha.

Nem o mais espalhafatoso dos avisos nos prepara para “Bonga”, música que nos faz perguntar primeiro se eles já começaram a tocar e depois se acabámos de entrar num filme de Emir Kusturica. Ainda que o conceituado realizador bósnio não seja para aqui chamado, urge criar alguns laços, nem que seja para que sirvam de apoio. De facto, ouvir os München recorda vagamente a alegria das bandas sonoras de filmes como Gato Preto, Gato Branco (1998) e A Vida é um Milagre (2004). Mas, a espaços, lá voltam eles à experimentação – porque as guitarras têm muitas cordas e muitos espaços vazios onde um dedo cabe perfeitamente – e ao desvario saudável de quem sabe o que faz. E eles sabem, aparentemente. Continuam difíceis de descrever como o raio, mas que são interessantes… lá isso são.

Em “Trotter”, podem estar perfeitamente a partir cordas que ninguém distingue sons de ruídos, tal é a fusão a que os München se dedicam. E volta a alegria, e voltam os ritmos saídos directamente de… Portugal. Sim, o som dos München é, ironicamente ou não, muito português. Quase se consegue ver a artística calçada portuguesa por entre os disparos musicais dos lisboetas.

Já “Professional”, por seu lado, vence o prémio para a música mais dançável do EP. Relativamente à letra… o que quer que o rapaz esteja a dizer… parece-me bem. Desde que ele não diga palavrões.

De qualquer forma, eis uma banda a seguir com atenção. Soam bem… e fazem-no de forma original e interessante.

8/10 | Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 14, Setembro, 2005.

 
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