Ladytron – Witching Hour

Em 2001, quando foi lançado 604, o primeiro álbum deste quarteto de Liverpool, imediatamente colocaram esta banda dentro do “saco” do electroclash, algo que os Ladytron sempre recusaram. Podemos ver que, realmente, a banda não pertence a esse mundo.

Em 2005, a banda volta à carga com um novo registo de originais chamado Witching Hour, sucessor de Light & Magic, editado em 2002, e que se vem a revelar como o melhor disco dos Ladytron. Muitos dizem que é ao terceiro disco que as bandas conseguem mostrar o seu real valor. Sendo assim, com este Witching Hour, os Ladytron provam que são criadores de excelentes canções electro-pop.

Se nos anteriores registos havia algum exagero na carga de sons maquinais (a lembrar Kraftwerk), neste álbum isso já não acontece, demonstrando os Ladytron uma grande maturidade, sabendo equilibrar bem as doses entre sonoridades mais robóticas e orgânicas.

Witching Hour é um excelente disco para ouvir durante o Inverno que aí se aproxima, carregado de sons gélidos e por vezes hipnotizantes (como na encantadora “International Dateline” ou “Soft Power”), que se aliam às guitarras, que encontramos várias vezes ao longo do disco e que vem trazer uma lufada de ar fresco à música dos Ladytron.

Esta maior presença das guitarras nota-se logo na faixa de abertura, “High Rise”, tal como na dançante “Destroy Everything You Touch”, um dos singles do ano.

As vozes de Mira Aroyo e Helen Marnie fazem lembrar bruxas robóticas de vozes sonhadoras, que cantam indiferentes e distantes de tudo o que se encontra à sua volta.

A luz não entra em Witching Hour, embrulhando-se o álbum num ambiente soturno, por vezes fantasmagórico (sem ser, no entanto, negativo), com estupendas canções electro-pop que piscam o olho ao rock’n’roll.

Um álbum a ter muito em conta, que vai certamente rodar no meu leitor inúmeras vezes este Inverno.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 21, Outubro, 2005.

 
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