Antony & the Johnsons no Coliseu dos Recreios

:: 31 de Outubro de 2005

Passavam poucos minutos das 22 horas quando entraram em palco Antony and the Johnsons e desde logo se reparou que Antony é realmente uma figura muito estranha e peculiar, um autêntico anjo que foi expulso do paraíso.

Mesmo ainda antes de entrarem em palco, Antony e os seus Johnsons já tinham o público nas mãos. Notava-se claramente uma grande ansiedade em tomar contacto com Antony e, ao longo de todo o espectáculo, cada música foi aplaudida entusiasticamente. Antony torna-se, assim, mais um dos artistas que são fortemente acarinhados pelo público português e que, de certeza, vai passar por cá muitas mais vezes no futuro.

O concerto começou com “My Lady Story” (durante a qual Antony mostrou logo muitos dos seus tiques e formas de se expressar). O espectáculo debruçou-se, como é evidente, à volta do último disco, I Am A Bird Now (2005), que foi tocado quase na sua totalidade.

Na fase inicial do concerto, Antony and the Johnsons apresentaram uma das suas melhores canções, “Man Is the Baby”, um dos momentos altos do concerto, evidenciando que apesar do espectáculo se concentrar essencialmente à volta da voz de Antony (uma voz que de tão anormal e andrógina se torna encantadora), os outros músicos que o acompanham também têm muito talento e valor no que fazem.

Além das músicas de I Am A Bird Now e do seu primeiro disco homónimo (que foi lembrado com a música “Cripple and the Starfish”), Antony teve tempo de homenagear alguns dos seus ídolos, como Nico (em “Afraid”), Leonard Cohen (em “The Guests”) e o poeta cego nova-iorquino Moondog (na arrepiante “All is Loneliness”).

Já mais para o final do concerto deram-se outros grandiosos momentos, através das interpretações de “Bird Gherl” e principalmente de “Hope There’s Someone”, momentos onde Antony se “despiu” completamente, numa entrega total ao público, uma entrega e crueza tão reais que emocionam quem o vê e ouve.

Depois da perturbante (no bom sentido) interpretação de “Hope There’s Someone”, Antony and the Johnsons abandonaram o palco, regressando pouco depois para o primeiro e último encore da noite. Quando Antony e companhia voltaram ao palco e se instalaram, uma rapariga do público gritou para Antony “thank you” e, a partir daí, Antony começou a cantar repetidas vezes “thank you, thank you, thank you” em variados tons, pedindo também ao público para cantar com ele. O público estava rendido a Antony e este, apesar da sua timidez, também revelou estar rendido ao público nacional.

Após este momento hilariante, Antony ressuscitou os mortos na tocante “I Fell In Love With a Dead Boy” (que teve uns problema técnicos no início, mas nada de relevante), para depois terminar com a já mítica versão de “Candy Says” de Lou Reed.

Um concerto que superou as minhas expectativas. Emocionante e, acima de tudo, bonito.

A primeira parte esteve a cargo do projecto Currituck Co., do guitarrista Kevin Barker (que também faz parte da banda de suporte de Antony). A música de Currituck Co. deambula pela folk experimental, revelando o músico que tem habilidade para tocar guitarra mas que ao fim de algum tempo se pode tornar demasiado monótono.

Texto: João Moço
Foto: Marisa Cardoso

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~ por hiddentrack.net em 31, Outubro, 2005.

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