Más escolhas

Na música, como em qualquer outra forma de expressão, há decisões discutíveis. Senso comum. Não novidade. Bla bla bla.

As mais polémicas – por serem visíveis, nada mais – são as dos alinhamentos dos concertos. Omissão e inclusão de canções de forma forçada, versões duvidosas, alinhamento pouco satisfatório: estas são algumas das razões que vos podem levar a discordar de uma decisão tomada por determinado artista ou banda. Mas há outras. Mas vamos ficar por aqui.

Primeiro, o que é que me fez abordar este assunto? É simples: o DVD do concerto dos Coldplay na Austrália e o CD que o acompanha. O primeiro apresenta-nos o concerto na sua íntegra; o segundo capta apenas alguns dos melhores momentos. Mas há um pequeno detalhe: o DVD termina com “Life is For Living”, a última canção do encore, e o CD com “Amsterdam”, que lhe antecede.

“Life is For Living” é a hidden track de Parachutes, o primeiro álbum dos Coldplay. Segue-se a “Everything’s not lost” e a alguns segundos de silêncio. A canção em si tem cerca de 1 minuto e 35 segundos e não é nada de especial.

Ao vivo, aparentemente, é suficientemente boa para terminar a noite. Aqui poderia estar uma decisão discutível… mas nem vou pegar por aqui. É melhor ao vivo do que em álbum: há algumas diferenças a nível instrumental, é ligeiramente prolongada. De facto, é uma forma interessante de terminar um concerto… mas então porque é que não tem lugar no CD?

Atenção, eu acho a ideia de terminar um concerto com a “Amsterdam” é das mais lúcidas que aqueles senhores tiveram mas… a última canção tem de estar lá. Senão é como não ter a primeira e começar logo com a segunda. É parvo.

Outra coisa que acho parva é o constante esquecimento da banda relativamente a “Warning Sign”. Reparem que não há nenhuma razão para além de esta ser uma das minhas músicas favoritas dos Coldplay que explique esta minha discordância. Ainda assim, parece-me uma razão perfeitamente válida (reparem que eu concordo, portanto, com a minha discordância relativamente ao assunto; poderia ficar aqui a noite inteira só a divagar acerca disto).

Por fim, porque raio – o início da frase indicia de que isto não se trata de uma simples discordância mas sim de uma valente embirração – é que aqueles tipos dão tanto valor à “Fix You”? Quer dizer, o público gosta, aparentemente. Mas ainda assim… porquê? A letra é horrível, a música é medíocre (ainda que a parte final não esteja má de todo – sem letra, leia-se) e o videoclip é fruto de uma qualquer diarreia catastrófica posta em pratos debruados a ouro de 24 quilates pela Art Gallery. E parece que eles terminaram o concerto de Lisboa com a “Fix You”… e não tocaram a “Warning Sign” (chega-se a uma altura em que se cruza as discordâncias para criar algumas novas). Porra.

De qualquer forma, por irónico que pareça, quando vi o single daquela porra à venda, comprei-o na esperança de que os b-sides fossem bons. Qual não é o meu espanto quando… não eram. Um deles era, pelo contrário, mesmo muito mau. Pior do que a “Fix You”. Imaginem lá.

Mesmo discordando em tantos e tão pouco variados aspectos, continuo a gostar da música deles. Bem, eles têm “See You Soon”, “Yellow”, “Don’t Panic”, “Warning Sign”, “Amsterdam”, “A Rush of Blood to the Head”, “What If” e “Speed of Sound”… que sempre ajudam a compensar os maus momentos.

Já agora, aproveito para congratular o Blitz pelo suplemento dedicado aos Coldplay cuja biografia estava muito interessante. Deu-me vontade de ouvir coisas deles. Foi o que fiz.

Filipe Marques

 

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~ por hiddentrack.net em 9, Dezembro, 2005.

 
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