Final Fantasy – Has a Good Home

Este ano tem sido um ano de boas colheitas para os lados do Canadá; de lá surgiram projectos tão interessantes quanto, entre outros, Arcade Fire, Death From Above 1979, Wolf Parade e também o projecto de Owen Palett, Final Fantasy, violonista dos Arcade Fire e responsável pelas suas orquestrações, sendo também colaborador de bandas como The New Pornographers e The Hidden Cameras. Além dum bom ano para a música canadiana, 2005 também tem sido um bom ano para violonistas pop, como o provam Andrew Bird e Patrick Wolf, com os belos The Mysterious Production of Eggs e Wind in the Wires, respectivamente.

No entanto, se vêm à procura do mesmo tom épico das composições dos Arcade Fire, então vão ter uma bela surpresa porque, neste projecto, Owen Palett adquire uma postura muito mais recatada e solene. Nesta perspectiva, aproxima-se muito mais da pop de Andrew Bird, onde toda a música parte do violino e é ele que comanda as hostes, do que da pop de Patrick Wolf, que procura no violino um caminho para chegar a tantos outros, fundindo este instrumento clássico com as novas tecnologias.

Em Has A Good Home, Palett mostra ao longo de 16 faixas todo o seu talento e versatilidade, apesar de estar limitado a um só instrumento.

Aqui podem ouvir-se simples e bonitas canções pop, a remeter-nos para um imaginário bucólico. A voz de Owen Palett é muito frágil, tal como a maioria das canções, sendo que ao longo do disco o registo de voz é (quase) sempre muito contido, mas ao mesmo tempo melodioso.

Has A Good Home é um disco feito de paz, harmonia, alguma melancolia e emotividade (como no tema dedicado ao casal dos Arcade Fire, Win Butler e Régine Chassagne – “Ths is the Dream of Win and Regine”).

Este primeiro álbum de Final Fantasy vem reforçar o talento de Owen Palett (que já toca violino desde os três anos) mas por vezes falta-lhe algo mais que consiga elevar as suas canções a um patamar superior pois, no seu conjunto, Has A Good Home não passa dum disco competente, com melodias bonitas e bons arranjos mas que não chega a transcender o mundo terrestre, coisa que o músico já provou ser capaz de fazer com os Arcade Fire.

Um bom disco mas ficamos à espera de melhor para a próxima.

7/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 19, Dezembro, 2005.

 
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