Top 10 2005

Estes são os discos que nos atingiram. São aqueles que mais ouvimos nas viagens diárias de automóvel ou de autocarro, são os que nos deixaram deslumbrados ao primeiro contacto. São aqueles que, ainda hoje, nos levam a inserir obsessivamente o disco no leitor numa posição perfeitamente horizontal para evitar riscos.

Marcada pela enorme subjectividade adjacente a este tipo de iniciativas, esta lista é fruto do encontro das escolhas dos membros da nossa equipa. Ficam por referir dezenas de álbuns, entre os quais alguns largamente elogiados por nós ao longo deste ano.

Para os que escrevem no hiddentrack.net, estes são os dez melhores álbuns de 2005.



10 .:: Red Sparowes – At the Soundless Dawn

De atitude variável, At the Soundless Dawn tem o condão de criar imagens estranhas pintadas a um negro hipnótico. À medida que nos transporta e nos agride, prepara-nos para altos e baixos – qual montanha russa – que parecem nunca acabar. O aviso parece necessário: as passagens para os momentos mais pesados são capazes de revolver alguns estômagos.

Mas, mais do que simplesmente bonito, experimental ou pesado, este é um trabalho urbano e deprimente de múltiplas facetas inconstantes que se vão revelando em camadas diferentes, em momentos diferentes e que partem em direcções divergentes em cada uma dessas camadas, a cada um desses momentos. • FM



09 .:: Black Rebel Motorcycle Club – Howl

Se os dois primeiros discos da banda (B.R.M.C. e Take Them On, On Your Own) levaram a que os metessem dentro do conjunto de bandas do denominado garage rock, Howl mostra que os Black Rebel Motorcycle Club são muito mais do que isso. É verdade que antigamente o som da banda era muito influenciado pelos Jesus & Mary Chain (factor bastante positivo). No entanto, com o novo disco, deixaram para trás essas influências e decidiram mergulhar nos blues do Mississipi.

No entanto, Howl não deixa de ser claramente um disco com o espírito que sempre caracterizou os Black Rebel Motorcycle Club: espírito negro e sujo, de viajante sem rumo que passa por lama e chuva mas que no entanto prossegue a sua busca. É um excelente regresso duma banda que sabe seguir em frente sem esquecer o passado. • JM


08 .:: Clap Your Hands Say Yeah – Clap Your Hands Say Yeah

Loucos ambulantes são os melhores adjectivos para descrever os Clap Your Hands Say Yeah. Filhos legítimos dos Talking Heads, procuram encontrar na música que fazem uma sensibilidade pop dançante, viciante e desvairada.

Nesta estreia homónima há pop-art, rock, indie, folk, psicadelismo, tudo junto numa enorme salganhada que contamina o ouvinte até mais não. Para alguns, a voz de cana rachada de Alec Ounsworth é motivo para fugir a sete pés mas, no entanto, sem esta voz tão singular e eufórica nada disto faria qualquer sentido (ainda que o objectivo seja não fazer sentido, certo!?).

Música insana, que diverte e nos leva a alucinações e danças patéticas mas que também consegue, por momentos, ser emocional (sem exageros). Há aqui muito talento e vale bem a pena descobri-lo. So, let’s Clap Your Hands and Say Yeah!!! • JM



07 .:: Queens of the Stone Age – Lullabies to Paralyse

Acelerada e ensurdecedora, a música dos Queens of the Stone Age é quase uma marca registada. É impossível não reconhecer uma música da banda em cinco segundos seleccionados aleatoriamente durante um hipotético zapping pelas estações de rádio. É esta distinção que marca a carreira da banda até hoje. E nisso Lullabies to Paralyse não foge à regra. Mantém o som característico da banda, talvez mais lento, talvez mais sério (ou não).

Este disco não cumpre o papel de “álbum mais pobre devido à saída de Nick Oliveri” e muito menos se apresenta como uma repetição aborrecida e grotesca de sons anteriores. Mais do que simplesmente “o novo álbum dos Queens of the Stone Age” (o que, só por si, não seria nada mau), este trabalho é a prova documental de uma banda sempre inovadora em mais um momento de genialidade. • FM

06 .:: Bernardo Sassetti Trio² – Ascent

Ascent é o trabalho que vem marcar de vez a genialidade de Sassetti, que já o ameaçava em Índigo. Este disco é, segundo o seu autor, profundamente marcado pelo cinema e pela fotografia, e não é menos verdade que, tal como Rodrigo Leão fez em Cinema, Sassetti consegue criar ao piano autênticos filmes na nossa mente, filmes de uma sensibilidade e de uma pureza jamais vistas.

Este novo registo de Bernardo Sasstti é como se representasse a vida – tudo o que ela é e simboliza, com todos os seus altos e baixos, com todas as tristezas e alegrias, tudo o que a vida é e não é, tudo o que poderá ser. Tudo somente em música, porque música desta não precisa de palavras. • JM



05 .:: The Mars Volta – Frances the Mute

Frances The Mute é um álbum especial. Funde tendências e géneros musicais variados em apenas cinco músicas… devidamente subdividas. Por entre refrões épicos e solos de guitarra enervantes, os Mars Volta dão-nos a volta à cabeça com letras sem sentido em inglês e castelhano. A fórmula tinha sido lançada em De-loused in Comatorium e parece voltar a dar cartas no mais recente álbum da banda.

Se todo o fogo-de-artifício e a energia de Frances The Mute não forem suficientes para chamar a atenção para o álbum, é necessário dizer que este não é feito somente de entrega e de trabalho árduo da banda de Bixler e de Oman Rodriguez. A qualidade está perfeitamente garantida neste álbum conceptual, definitivamente artístico e que, segundo a própria banda, dura um milhão de horas. • FM


04 .:: Antony & the Johnsons – I am a Bird Now

I am a Bird Now é um livro aberto dos sentimentos, das dúvidas e das tristezas de Antony, que canta tudo isto com uma voz cheia de alma dividida entre a de uma mulher e a de um homem.

Com a sua voz de príncipe mal amado e na companhia dos The Johnsons, Antony explora conceitos pop, soul e até gospel, criando um dos registos mais brilhantes que a música nos deu nos últimos tempos. Para o ajudar, Antony contou com a colaboração de amigos como Boy George, Rufus Wainwright , Devendra Banhart e Lou Reed. • JM



03 .:: Sufjan Stevens – Illinois

Sufjan Stevens é ainda relativamente novo. Tem apenas 30 anos e alguns meses de idade. Mas a forma como este Illinois nos é apresentado é tudo menos fruto de inexperiência. Este álbum conceptual transpira maturidade. Cada uma das histórias cantadas é apresentada de forma única, com uma ligeireza agradável e um ambiente de contrastes.

Stevens parece estar definitivamente lançado numa aventura. O objectivo é, aparentemente, conseguir musicar todos os estados americanos. Este é o segundo. Faltam 48. É bom que ele cuide da sua saúde se quer acabar a saga. Illinois é tão indie como é clássico: emana swing e folk em melodias delicadas e bem pensadas. • FM


02 .:: Bloc Party – Silent Alarm

De uma forma geral, os temas de Silent Alarm são tensos e nervosos, marcados por guitarras rápidas e agressivas e por uma bateria mandona (elogio). Por outras palavras, pode descrever-se o som dos Bloc Party como pós-punk de boas influências.

O disco alterna temas mais crus e directos – toca a guitarra, entra a bateria, seguida do baixo e da voz; a ordem é para tocar muito rápido e muito alto – com peças mais elaboradas onde arranjos mais arrojados e alguma electrónica ganham outro papel. Afastemo-nos, no entanto, da ideia de um álbum partido ou alternante: não o é. É novo e fresco. E é viciante. Desde o primeiro minuto. Alucinante. Silent Alarm é certamente um dos álbuns de estreia mais bem conseguidos dos últimos anos. Mas o que quer que o futuro nos reserve, uma coisa é certa: you can’t stop the bloc. • FM


01 .:: Sigur Rós – Takk…

Ao quarto álbum, os Sigur Rós levam-nos numa viagem sem retorno, levam-nos ao mais belo dos lugares… ao mais excepcional dos momentos. A voz frágil e andrógina de Jónsi Birgisson divaga num manto musical extremamente belo de piano, guitarra e cordas como um escritor se passeia por páginas em branco soltas. É este o tempo.

O que é Takk…? Talvez seja pós-rock com timbre de música clássica e laivos da mais interessante pop. Ou talvez seja simplesmente o momento mais bonito das vossas vidas. Seja como for, é impossível ficar indiferente a cada um dos movimentos, a cada um dos acordes, a cada um dos passos desta viagem pelo mundo maravilhoso do quarteto islandês.

Como cada uma das peças que o compõem, este álbum não poderia estar mais perto da perfeição. Quando não é algo indescritível, Takk… é uma epifania. • FM

Menção Fora de Tempo



.:: The Arcade Fire – Funeral

Os anos que antecederam o lançamento do álbum de estreia dos Arcade Fire foram marcados pela morte de vários familiares da banda. Assim surgiu o título Funeral e um disco que traz o reconhecimento colectivo da dor provocada pela perda de alguém. Apesar de toda a dor que encontramos neste disco temos também vestígios de renovação e maturidade. Até nos seus momentos mais obscuros, Funeral traz-nos um certo positivismo. Uma espécie de grito de sobrevivência face a toda a morte que nos rodeia e uma óbvia valorização dos laços familiares e comunitários.

Na sombra de uma vizinhança que reúne todos os seus pesadelos, fantasias, sonhos e o peso da realidade chega-nos uma mistura de melodias pop, com art rock e uma voz versátil. O resultado final é uma complexa sonoridade indie rock. Um disco obrigatório. Uma história de perda. Mas também repleta de amor e redenção. • CR

Os dez preferidos de cada um:

Carla Reis

1: Bloc Party – Silent Alarm
2: Sigur Ros – Takk…
3: Antony & the Johnsons – I Am A Bird Now
4: Kaiser Chiefs – Employment
5: Queens Of The Stone Age – Lullabies To Paralyze
6: Editors – The Back Room
7: Mogwai – Government Comissions: BBC Sessions 1996-2003
8: Depeche Mode – Playing The Angel
9: Tori Amos – The Beekeeper
10: Nine Inch Nails – With Teeth

Filipe Marques

1: Bloc Party – Silent Alarm
2: Sigur Rós – Takk…
3: Sufjan Stevens – Illinois
4: The Mars Volta – Frances the Mute
5: God is an Astronaut – All is Violent, All is Bright
6: Queens of the Stone Age – Lullabies to Paralyse
7: Micah P. Hinson – The Baby and the Satellite
8: Iron and Wine/Calexico – In the Reigns
9: Andrew Bird – The Mysterious Production of Eggs
10: Aimee Mann – The Forgotten Arm


Gonçalo Sítima

1: Sigur Rós – Takk…
2: The Mars Volta – Frances The Mute
3: Opeth – Ghost Raveries
4: Queens Of The Stone Age – Lullabies To Paralyze
5: Cephalic Carnage – Anomalies
6: Meshuggah – Catch 33
7: Dredg – Catch Without Arms
8: Pelican – The Fire In Our Throats Will Beckon The Thaw
9: Gojira – From Mars To Sirius
10: Red Sparowes – At The Soundless Dawn

João Moço

1: Bernardo Sassetti Trio² – Ascent
2: Sufjan Stevens – Illinois
3: Antony & the Johnsons – I Am A Bird Now
4: Matt Elliott – Drinking Songs
5: Patrick Wolf – Wind in the Wires
6: LCD Soundsystem – LCD Soundsystem
7: Rufus Wainwright – Want Two
8: Andrew Bird – The Mysterious Production of Eggs
9: Sigur Rós – Takk…
10: Electrelane – Axes

Pedro Correia

1: Black Rebel Motorcycle Club – Howl
2: Oasis – Don´t Believe The Truth
3: The Rolling Stones – A Bigger Bang
4: Anthony & The Johnsons – I Am A Bird Now
5: Franz Ferdinand – You Could Have It So Much Better… With Franz Ferdinand
6: Bright Eyes – I´m Wide Awake, It´s Morning
7: The White Stripes – Get Behind Me Satan
8: Bruce Springsteen – Devils And Dust
9: Maxïmo Park – A Certain Trigger
10: Editors – The Back Room

Sérgio Lemos

1: Clap your hands say yeah – Clap your hands say yeah
2: Electrelane – Axes
3: M83 – Before the dawn heals us
4: The National – Alligator
5: Red Sparowes – At the soundless dawn
6: Dreamend – Maybe we’re making God sad and lonely
7: Lightning Bolt – Hypermagic mountain
8: Kinski – Alpine static
9: Boris/Merzbow – Sun baked snow cave
10: Xiu Xiu – La Forêt

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~ por hiddentrack.net em 31, Dezembro, 2005.

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