Rock surdo

Chamaram-me a atenção para um artigo da BBC acerca dos efeitos nocivos da utilização prolongada de headphones no que diz respeito à audição. O artigo está assinado por Jonathan Duffy e não traz grandes novidades. É, no entanto, um bom apanhado de informações relativas à temática.

Fala de senhores como Pete Townshend (The Who) e Morrissey, músicos que passaram uma parte importante da sua vida com a música a tocar bem perto dos seus ouvidos. Fala ainda da geração iPod e da sua antepassada Walkman. É inegável que a possibilidade de levarmos música para todo o lado teve enormes vantagens: por exemplo, levar música para todo o lado. E as desvantagens? A óbvia, motivo daquele artigo: problemas de saúde relativos ao uso dos headphones durante vários períodos do dia.

Por entre exemplos e explicações, ficamos ainda a saber que é pior se sairmos frequentemente para discotecas e bares com música alta. E concertos ruidosos também não escapam, claro.

Eu utilizo headphones todos os dias em casa e na rua. Na rua tenho tendência para pôr o volume no máximo. Em casa nem por isso. E porque é que na rua faço isso? Também é um assunto referido no artigo: o objectivo é tentar evitar o restante ruído. Como quando uma pessoa grita mais alto para se tentar sobrepor à voz da outra. Como quando aquela senhora que vai atrás de nós no banco do autocarro decide começar a queixar-se da condução do motorista, sabem? É nessas alturas que nem a “Like Herod” dos Mogwai escapa a uma ligeira (insuficiente) subida do volume. De qualquer forma, partilho completamente desse digno objectivo e é com satisfação que vejo a Senheiser disponibilizar headphones com isolamento de som para a generalidade dos consumidores. Talvez seja uma boa ajuda.

Continuo a gostar de ouvir música bem alto, no entanto. A culpa é das pequenas idiossincrasias das canções. Ou aquela pequena brincadeira com a guitarra bem lá ao fundo é para não ser ouvida?

Vou ficar surdo.

Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 6, Janeiro, 2006.

 
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