Snowblood – Being And Becoming

snowblood-beingandbecomingDesde a primeira metade do anos 90 que bandas como Neurosis, Godflesh e, de certa forma, os velhinhos Swans, começaram a trilhar os caminhos de sonoridades lentas e pesadas, mas que conseguem, simultaneamente, entrecruzar melodias calmas e apaziguadoras. Desde então, as sementes têm germinado num conjunto de projectos que constituem uma emergente vaga de pós-metal (ou de qualquer outra coisa semelhante).

São vários os projectos que elegem as bandas atrás mencionadas como fontes formadoras da sua identidade musical e em muitas delas percebe-se bem porquê – a presença de guitarras dissonantes, riffs longos e arrastados, vozes catárticas, sons ambientais ou melodias taciturnas. Porém, enquanto algumas bandas transformam inspiração em mera reprodução, o novo milénio tem a benesse de descobrir quem consiga reinventar o género, quem consiga reformular o conteúdo.

O segundo álbum dos escoceses Snowblood, Being And Becoming, é um desses objectos circulares capaz de se elevar a obra artística digna de se dedicar uma hora a contemplar. Ao longo das oito faixas que o compõem, surge-nos uma sentimento semelhante àquele que temos perante um álbum de Mindrot: uma nostalgia sombria permanente.

Este é um álbum que tem em proporção simétrica peso e serenidade. Esta característica é visível ao longo de todo o álbum e dita a forma como as músicas se desenvolvem. Quando necessário, a música cresce epicamente como em “Call Of The Search”, mas um ondulante ritmo sereno não um território onde os Snowblood se sintam desconfortáveis – “Out Of Harm’s Way”é um exemplo disso mesmo.

Enquanto alguns vocalistas apenas conseguem cantar bem ou berrar bem, Luke Devlin consegue fazer ambos perfeitamente, o que amplifica a qualidade das composições dos Snowblood. Quer em melodias polidas – em “Out Of Harm’s Way” e “Young” destacam-se especialmente; quer em fala directa – “Aubade”; a diversidade dos registos vocais de Luke é rara de encontrar.

Apesar de ser um álbum arrastado, quando necessário os Snowblood conseguem exasperar verdadeiramente. “Year Of The Bastard” são dois minutos verdadeiramente bastardos onde blast beats, vozes cavernosas e riffs desconcertantes reproduzem a própria essência do metal. Uma presença que para uns poderá ser desagradável, mas que dificilmente passará por estranha.

Acima de tudo, este álbum é um produto da evolução feita até aqui dentro do género. Não é difícil encontrar um pouco de Isis, um pouco de Mogwai, um pouco de Khoma e até um pouco de Anathema nas oito faixas de Being And Becoming, mas é na sua totalidade que este álbum se singulariza e permite que os Snowblood sejam uma das bandas a seguir de perto nos tempos que aí vêm.

7/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 10, Janeiro, 2006.

 
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