Kayo Dot

Esqueçam tudo o que se fez combinando orquestras e metal. Fixem o nome: Kayo Dot. E concentrem-se, muito.

Formados em 2003 por Toby Driver, os Kayo Dot nasceram das cinzas dos maudlin of the Well, que cessaram as suas actividades nesse mesmo ano, ao fim de sete anos de existência.

Os maudlin of the Well formaram-se no ano de 1996, por Toby Driver, Greg Massi e Jason Byron. Combinando elementos de géneros tão distintos como sludge ou indie rock, os maudlin of the Well praticavam metal progressivo característico, com inúmeras referências a teorias de projecção astral (quer nas letras que compunham, quer na própria atmosfera que criavam).

Em 1999, a banda editou o seu primeiro trabalho, My Fruit Psychobells… A Seed Combustible, tendo-se seguido Bath (2001) e Leaving Your Body Map (editado também em 2001), aquele que viria a ser o último registo do colectivo sob o nome de maudlin of the Well. Os dois últimos trabalhos do grupo foram reeditados no mês de Janeiro, incluindo temas que não haviam sido incluídos nos lançamentos feitos cinco anos antes.

Quando os maudlin of the Well se preparavam para iniciar as gravações do seu próximo trabalho, começaram a surgir os acidentes de percurso que levariam à extinção e posterior reformulação da banda. Mudança de editora (para a Tzadik de John Zorn) e as saídas de alguns membros da banda conduziu a uma reestruturação inevitável, da qual nasceram os Kayo Dot, decorria o ano de 2003.

Choirs Of The Eye, o primeiro registo dos Kayo Dot, editado em 2003, era, nada mais, nada menos, que o quarto álbum dos maudlin of the Well.

É quase imediatamente óbvio a noção de uma crescente complexidade na transição de maudlin of the Well para Kayo Dot. Basta observar o número de músicos que participaram em Choirs Of The Eye, para percebermos tal evolução. São dezoito os músicos de vários quadrantes que deram a sua contribuição no trabalho. É possível encontrar em Choirs Of The Eye instrumentos tão variados como a flauta e o violino, o trompete e a trompa, o saxofone e a bateria…

Num todo, o primeiro registo dos Kayo Dot resultou como um produto homogéneo de uma beleza e serenidade como há muito não se via e de uma genialidade que se tornou característica do colectivo de Boston. É curioso observar que Choirs Of The Eye foi composto sem a pretensão de ser eventualmente tocado ao vivo, facto esse que levou posteriormente ao delinear de uma formação que pudesse de facto subir ao palco. Actualmente, os Kayo Dot formam um octeto composto por Toby Driver (que além de dar voz, toca clarinete e guitarra), Greg Massi (guitarra), John Carchi (guitarra), Mia Matsumyia (violino), Ryan McGuire (baixo, teclado), Forbes Graham (trompete) e Tom Malone (bateria), que substituiu Sam Gutterman quando este abandonou a banda em 2005.

Face a esta evidência, os Kayo Dot serão um braço que desponta numa estrela-do-mar, uma espécie de apêndice que se destaca sem se desligar completamente do centro aglutinador, que seriam os maudlin of the Well. A analogia repetir-se-ia, se encarássemos então os Kayo Dot como o centro aglutinador de forças e os projectos mantidos por alguns membros da banda como os braços que despontam desse centro. Toby Driver editou no ano transacto In The L… L… L… Library Loft, um trabalho a solo, e está a preparar uma peça intitulada 60 Metonymies.

Greg Massin mantém também um projecto hard-rock – Baliset -, largamente influenciado por Dream Theatre entre outras bandas do mesmo espectro, tendo editado também em 2005 o EP A Time For Rust. Por seu lado, o trompetista Forbes Graham tem o seu próprio projecto, Polyrhythmatics e colabora frequentemente com outras bandas – caso dos The Red Chord, com quem Forbes trabalhou, tendo uma pequena participação no álbum Clients, de 2005.

Assim, parece mais natural ver o colectivo de oito músicos com todos os seus projectos como o centro aglutinador de forças. Imagine-se uma palete de cores separadas individualmente que depois se misturam em harmonia numa tela. Uma visão possível dos Kayo Dot.

O colectivo editou em Janeiro Dowsing Anemone With Copper Tongue, um álbum que segundo Toby Driver foi feito para ser mais audível do que Choirs Of The Eye. Houve quem apontasse no novo registo influências de bandas tão distintas como Sigur Rós, Neurosis e até Sunn 0))), mas a música dos Kayo Dot destaca-se para um patamar que lhes concede uma genialidade única e comparações que parecem sempre um todo-nada desniveladas, tal é a peculiaridade da abordagem musical que fazem.

Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 15, Janeiro, 2006.

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