Depeche Mode no Pavilhão Atlântico

:: 8 de Fevereiro de 2006

Lisboa foi palco, pela segunda vez na sua história, de um concerto dos Depeche Mode, desta vez no Pavilhão Atlântico. Foi grande a expectativa que se gerou em torno desde acontecimento, quer pelos níveis de venda que Playing the Angel atingiu, quer pelo facto de os bilhetes terem esgotado (alguns dizem que se esgotou num ápice, mas não nos esqueçamos que os bilhetes foram postos à venda em Junho e que só esgotaram em Novembro).

A primeira parte foi preenchida pelos The Bravery, uma recente banda de Nova Iorque que tem tido um sucesso mediano. Actuaram das 20h30 até cerca das 21h05. Muito se poderia dizer sobre esta actuação, nomeadamente que não se conseguiu perceber quase nada do que o vocalista exteriorizou através das suas cordas vocais (sim, porque lá cantar ele não cantou!), que o som era estridente e ensurdecedor, que a actuação foi de um pretensiosismo cénico aberrante (deviam estar pouco mais de duas mil pessoas no Pavilhão quando actuaram e o vocalista rebolou no chão, literalmente, por várias ocasiões, como se estivesse possuído por um qualquer sentimento de êxtase…), mas a verdade é que é difícil fazer a primeira parte para outra banda, especialmente se se tem muito pouco em comum com ela em termos sonoros. Não vou aqui avaliar a qualidade das músicas dos The Bravery porque, muito sinceramente, não consegui perceber muito bem que melodia servia de base àquele conjunto devastador de ruídos sonoros.

Falando do que realmente interessa, a actuação dos Depeche Mode. Como seria de esperar, para quem já teve o prazer de ver outras actuações da banda (Devotional é sem dúvida uma das melhores digressões jamais realizadas), a qualidade foi muitíssimo boa. Em termos cénicos o palco era composto por várias naves espaciais e por um conjunto de ecrãs móveis, que durante o concerto foram mostrando várias imagens e mensagens que enquadravam as músicas. No que diz respeito à actuação também nada de mal pode ser dito: Dave Gahan continua em muito boa forma, assim como Martin Gore; foram simpáticos, puxaram muito pelo público e até trocaram alguns gestos e palavras de carinho, afastando assim o fantasma de possíveis conflitos entre os dois. As músicas que o público melhor recebeu foram sobretudo as mais antigas, nomeadamente “A Question of Time”, “Behind the Wheel”, “Personal Jesus”, “Enjoy the Silence”, “Never Let Me Down Again” e o malfadado “Just Can’t Get Enough” (o espírito de Vince Clarke continua a tentar persegui-los!). Do último álbum destacaram-se “A Pain that I’m Used to”, “John the Revelator”, “Precious” e “Sinner in Me”. Houve dois momentos que foram dos mais emocionantes do concerto mas que, talvez por serem menos dançáveis, não acolheram do público uma tão boa recepção. Estou-me a referir a “Home” e a “Shake the Disease”, ambas lideradas por Gore.

Os momentos mais mornos foram sem dúvida as músicas do meio do espectáculo, neste caso “Suffer Well”, “Damaged People” e “I Want It All”, tendo também “Walking in My Shoes” e “Everything Counts” tido uma recepção abaixo do que era esperado.
Um dos pontos mais criticáveis do concerto dos Depeche Mode será sem dúvida o repertório escolhido, que qualquer fã certamente definirá como mediano (atenção, a qualidade do repertório é muito boa, mas poderia ser muito melhor tendo em conta as músicas de que a banda dispunha). Não se consegue perceber como é que algumas das músicas mais emblemáticas da banda, como é o caso de “Stripped” e “It’s No Good”, já nem falando de “Freelove”, foram postas de lado, enquanto que “Goodnight Lovers”, um dos singles mais obscuros da banda (para não dizer o mais obscuro) teve direito a honras de música de despedida (por acaso até acabou por ser um momento muito emocionante, mas as expectativas eram muito baixas…).

Fazendo um balanço de todos os factores, e alargando as conclusões retiradas deste concerto a toda a digressão, Touring the Angel é sem dúvida nenhuma muito boa, não desilude em nenhum momento e que por isso vale a pena ir ver, com garantia à partida de que se vai passar um bom momento. Só que quando uma banda tem na bagagem uma Devotional Tour, uma World Violation Tour e uma Exciter Tour, nunca se poderá afirmar que Touring the Angel é a sua melhor digressão, ficando neste caso com um honroso quarto lugar (é no entanto muito superior a For the Masses Tour, que originou o mítico 101, concerto muito bom para a época, mas incomparavelmente inferior aos concertos realizados pela banda desde então).

Resumindo e concluindo, os Depeche Mode estão de boa saúde e recomendam-se vivamente. Quanto a nós, cá os esperamos dia 28 de Julho em Alvalade.

Texto: João Oliveira
Fotos: Helder Pinheiro (para o Depeche Mode FanClub Portugal)

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 8, Fevereiro, 2006.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: