Pop Dell’Arte – POPlastik 1985-2005

POPlastik – pop plástica. É isto que a pop é, plástica, maleável, com ela podemos dar cambalhotas no ar, perder os sentidos, representar uma vida em 3 minutos. A pop pode ser tudo e pode ser o nada. E como ninguém os Pop Dell’ Arte souberam trocar-nos as voltas, mudar toda e qualquer concepção que se tinha da música pop antes de atacarem a música nacional.

Este POPlastik representa os vinte anos de carreira deste colectivo natural de Campo de Ourique, por onde já passaram nomes como Sapo (dos Mão Morta), JP Simões (ex-Belle Chase Hotel / Quinteto Tati) ou Rafael Toral.

Formaram-se em 1985 e nesse ano concorreram para uma das edições habituais do concurso de música moderna do Rock Rendez Vous. Não ganharam o prémio principal, mas foram para casa com o prémio de originalidade, o que só evidencia como este grupo nunca olhou a meios para concretizar os seus fins, nada lhes fez frente para demonstrarem toda a sua versatilidade e vanguardismo.

Português, inglês, francês, desvarios incompreensíveis para o comum dos mortais, tudo é pretexto para que os Pop Dell’ Arte criem a sua arte. E esta arte vai muito para além da música, abarca as artes plásticas, o cinema, a literatura, toda e qualquer forma de arte que entendamos.

Nesta compilação podemos ouvir 17 temas que já conhecíamos de antigos registos da discografia dos Pop Dell’ Arte (de onde constam os geniais Free Pop e Sex Symbol) e neles não se sentem quaisquer efeitos do passado, nem do presente. Ainda hoje estas músicas não se enquadram no tempo, são uma constante surpresa onde cabem os mais variados estilos musicais, pois abarcam tanto a pop/rock mais convencional, experimentalismos, electrónicas, uma espécie de valsas, e sabe-se lá mais o quê! Ao entrarmos no vasto universo destas canções transformamo-nos em algo que se assemelhe a uma “Alice no País das Maravilhas”, onde nunca sabemos que segredos e mistérios nos esperam todos estes jogos labirínticos de que está recheada a música dos Pop Dell’ Arte. São 17 temas que desvirtuam todos os estereótipos musicais que corroem muitas mentes.

Além destes 17 temas, donde podemos extrair momentos maravilhosos como “Querelle”, “Sonhos Pop”, o devaneio talvez fruto da fase em que a heroína dominou o mítico líder, João Peste, em “Janis Pearl” ou a irresistível “Poppa Mundi”, podemos encontrar dois originais e uma cover de Adonis. “(J’ai Oublié) All My Life” é um desses espantosos originais, tema que transporta os Pop Dell’ Arte para uma discoteca de excelente bom gosto; “Stranger than Summertime” é o outro original, onde João Peste encarna toda aquela áurea romântica que sempre rodeou a banda, mais um excelente exemplo de que ainda há vida nos Pop Dell’ Arte e está irrequietamente inventiva como sempre.

Foram e são a melhor banda portuguesa de sempre.

9/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 15, Fevereiro, 2006.

 
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