Tiga – Sexor

tiga-sexorTiga foi e é um dos DJs e remisturadores mais recrutados no panorama actual da música de dança, electrónicas e afins. Passou pelo electroclash e teve aí uma importância vital, mas não se deixou morrer nem mostrou marcas de banalidade como aconteceu a muitos projectos que surgiram neste meio. Este ano decidiu estrear-se com um disco de canções, chamado Sexor, tarefa que maior parte das vezes sai gorada aos DJs. No entanto, pode-se dizer de antemão que não é isso que acontece nesta estreia.

Além da produção do próprio canadiano, o disco de estreia de Tiga conta com a produção conjunta dos manos Dewalee (2 Many DJ’s / Soulwax) e do sueco Jesper Dahlback, nome conhecido do meio techno. É devido a esta produção entre tantas mentes criativas que Sexor é um disco que tem o apelo da pista de dança, é para lá que as canções se dirigem, pois é nesse meio que elas melhor se enquadram, sem no entanto deixarem, na maior parte das vezes, serem explicitamente pop. É isto que faz deste um disco a ouvir com atenção, pois Tiga soube desligar-se um pouco da sua vertente de DJ e criar grandes canções pop, que se agarram constantemente ao electro.

No entanto, o techno e o house, que foram os mundos por onde este canadiano começou a fazer música, estão bem presentes ao longo do disco, conseguindo Tiga aliar habilmente os ambientes mais fortes e carregados da discoteca com a subtileza e sensibilidade que são precisos para se fazerem canções pop.

Esta habilidade é visível principalmente na primeira parte do disco, onde podemos encontrar canções como “(Far From) Home”, “You Gonna Want Me” (o excelente primeiro single que conta com a participação do vocalista dos Scissor Sisters, Jake Shears) ou a já conhecida “Pleasure from the Bass”, que nos fazem dançar repetidas vezes e nos fazem sentir as luzes e o calor duma discoteca de muito bom gosto.

No entanto, na segunda parte Tiga perde-se um pouco, deixa que as suas raízes dominem os temas, o que em certos momentos pode-se tornar desgastante, ou então vira-se para ritmos mas calmos que, apesar de nos darem uma nova faceta do músico canadiano, não é onde ele se dá melhor (como na cover de “Down In It” dos Nine Inch Nails ou “The Ballad of Sexor”). Apesar desta falha, nesta segunda parte podemos ouvir a já conhecida cover de “Burning Down the House” dos Talking Heads, onde Tiga nos dá um belo exemplo de como fazer boas covers, com novas roupagens, novas facetas que se desconheciam do tema.

Sexor mostra que Tiga, além de já nos ter dado provas como bom DJ, também sabe fazer canções, apesar de precisar de corrigir certos erros, que não fazem deste um excelente disco, mas apenas bom.

7/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 24, Fevereiro, 2006.

 
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