Liars – Drum’s Not Dead

Quando os Liars surgiram em 2001 com o disco They Threw Us All In a Trench and Stuck a Monument On Top, meteram-nos no meio de todas as bandas que surgiam em Nova Iorque com as sonoridades pós-punk. Fizeram mal. Três anos depois voltaram com They Were Wrong, So We Drowned, com o qual provaram que quem os etiquetou estava redondamente enganado. Ao segundo disco entregaram-se às bruxarias e a todas as suas lendas, numa música desvairada, estranha, irrequieta. Regressaram este ano com Drum’s Not Dead e continuam em constante mutação.

Ao terceiro disco este trio nova-iorquino decidiu abandonar a Big Apple e aterrar em Berlim, onde se deu todo o processo criativo de Drum’s Not Dead. Este disco tem um carácter mais conceptual, pois baseia-se à volta de duas personagens fictícias: Mt. Heart Attack e Drum. Drum é o símbolo de criatividade, da segurança; já Mt. Heart Attack é o seu oposto, que duvida e questiona o primeiro.

Neste álbum sente-se que o espírito dos Liars continua irrequieto, sem se querer acomodar em estilos ou categorizações musicais, continua na busca incessante de algo que só eles saberão, sem se prenderam a seja o que for. E é nesta busca que os Liars nos levam para o meio de tribos que existem num mundo muito para lá do imaginável e lá cantamos uma espécie de músicas com uma folk mergulhada em álcool e outras drogas. As percussões assumem um carácter tribal, por vezes feroz e cru, mas que ao mesmo tempo se situam num futuro indefinível.

Em Drum’s Not Dead os Liars não estão tão incompreensíveis quanto anteriormente, apesar de reinar ainda um mistério perturbador, mas que sem o qual toda esta música perdia toda a piada. Agora os Liars fazem uma espécie de canções, não são mesmo canções, mas algo que se aproxima muito sorrateiramente a esta forma.

As surpresas ao longo do disco são várias, como por exemplo na faixa “The Wrong Coat for You Mt. Heart Attack”, onde somos contaminados por uma dormência, onde elementos electrónicos muito subtis vão aparecendo e desaparecendo. Mas a maior surpresa de todas está reservada para o final com a música “The Other Side of Mt. Heart Attack”, a música que ninguém esperava que os Liars fizessem, angélica e com coração, com versos no mínimo enternecedores: “If you need me I can always be found…I won’t run far, I can always be found”.

Drum’s Not Dead é o melhor registo da carreira dos Liars e já um dos melhores discos do ano, onde o trio dá cartas cada vez mais imprevisíveis e a música, essa que é o que realmente importa, está mais tocante que nunca.

9/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 3, Março, 2006.

 
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