Lise Westzynthius – Rock, You Can Fly

Lise Westzynthius vem da Dinamarca para nos encantar com a sua voz bela e comovente. Logo aos primeiros acordes de Rock, You Can Fly apercebemo-nos do seu horizonte vocal (infinito). Não há uma definição do seu estilo de música. Apenas posso dizer que Lise é brilhante. O sobrenome complicado é facilmente secundarizado pela sua belíssima presença vocal.

É brilhante a encantar-nos com a sua voz jovial, quase silenciosa. A música propriamente dita é calma, sem rasgos de fúria. Em “Mosquetaire”, ouve-se Lise cantar “Perhaps I´m dreaming / I´m ill anyway / May be hallucinating / but I beg the dream to stay”. É uma estrofe que define bem o nosso estado de espírito quando colocamos este disco a rolar. É fácil apaixonarmo-nos por esta voz doce. É música para degustarmos lentamente, como quem goza uma qualquer paisagem exótica. Em “Cowboys And Indians”, Lise começa com “Swim away with me / To where the sky is never grey / We might run off to the woods / to play and play and play”. Ora aqui está mais um cenário sonoro criado por esta dinamarquesa, que nos transporta para um local talvez utópico. Mas ao ouvirmos Lise Westzynthius, tudo é realizável.

Não é uma tarefa simples escolher uma música que se destaque das restantes onze, dada a grande coerência deste segundo capítulo na carreira de Lise. Mas, depois de algum esforço, lá consegui relevar a faixa número 11 “Return To Take-Off” tem tudo o que uma música necessita. Uma bateria no ritmo certo e piano encorpado na voz de Lise. Tem mudanças de ritmos, o que a torna orelhuda, sem nunca a resvalar para o comercialóide. Mas há outras faixas que têm uma qualidade muito boa, como por exemplo o tema-título.

A música de Lise Westzynthius é atmosférica e límpida. Ideal para ouvir no fim de um dia de trabalho, ou como banda-sonora de um momento a dois. Ela vagueia por entre arbustos – leia-se elementos da banda – construídos com uma sabedoria musical inegável.

O título do disco convence-nos de que conseguimos voar. E depois de uma audição cuidada, voamos mesmo. Destino: contemplação musical.

8/10 | Pedro Correia

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~ por hiddentrack.net em 3, Março, 2006.

 
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