Orgasmo – Z

Uma mistura interessante de psicadelismo, electrónica, funk e alguma sensibilidade pop pode dar nisto. Z (2005) é o álbum de estreia dos portugueses Orgasmo, um quinteto de zês – Zemen, Zoid, Zed, Zbox e Zobel – proveniente de Sintra. Ainda que os seus nomes não dêem essa ideia.

A primeira frase resume mas não é suficiente para compreender um álbum que se apresenta apoiado em sintetizadores e guitarras como se estes alguma vez tivessem combinado bem. Bem, a verdade é que os Orgasmo não se dão mal nesta aventura espacial. Pelo contrário.

Z é um disco relativamente rico em detalhes. Na sua tentativa de nos adormecer em melodias repetitivas e temas semi-épicos, a banda acorda-nos para pormenores simples como os proporcionados pela parte final de “Urano” – que tem um início à Depeche Mode mas que se torna, com o contributo das vozes, em algo parecido com o fruto de uma mente distorcida (à beira-mar). Relativamente aos pormenores, “Sedna” é provavelmente o melhor exemplo. A bateria nervosa quase faz esquecer a vulgar guitarrada inicial, deixando para o baixo e para as distorções manhosas (elogio) de umas brincadeiras de sintetizador e guitarra (lá mais para a frente) o papel principal.

Se quiserem perder a cabeça a ouvir este álbum, saltem até “A Moment”, o último tema do disco. Mais guitarras aleatórias (sic) e muita confusão. No entanto, as vozes não são propriamente o momento mais brilhante do disco. Longe disso.

É num mar já anteriormente navegado que os Orgasmo fazem música. Não há aqui grandes surpresas ou audácia. Há, no entanto, empenho e alguma firmeza de estilo. O som é porreiro e há muitos pontos em que se nota a qualidade da execução musical desta obra. Por outro lado, falta mais imaginação e menos repetições. Ainda assim, o grande problema é que Z não fica realmente na cabeça. É preciso mais.

6/10 | Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 20, Março, 2006.

 
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