Ursula Rucker – Ma’at Mama

Em 2001 Ursula Rucker estreou-se no panorama musical com Supa Sista, disco onde aparecia com o apoio de colectivos como Jazzanova e 4Hero e mostrava já como é uma personalidade bastante crítica em relação a tudo o que a rodeia. Dois anos mais tarde mostrou-nos Silver or Lead, onde Ursula Rucker nos continuou a presentear com a sua poesia interventiva, embuída em sonoridades hip hop, electrónicas e um pouco de todos os géneros que fazem parte da cultura negra.

Este ano a cantora e poetisa norte-americana volta ao ataque com Ma’at Mama, uma vez que continuam a proliferar no mundo as injustiças, as desigualdades a que muitos fecham os olhos, mas não Ursula. “Ma’at Mama” é um princípio do Antigo Egipto que mantém o equilíbrio no universo, sendo que também representa a Deusa da verdade. Assim, Ursula Rucker surge-nos como se fosse essa Deusa, cujo papel neste mundo é o de falar e apontar o dedo aos problemas que desde sempre dominaram o mundo e que ainda hoje continuam cruelmente activos, problemas esses que vão desde as inúmeras injustiças raciais (que em pleno século XXI e numa sociedade que se diz civilizada, continuam activas como nunca), às desigualdades de classes, entre tantas outras questões tão controversas e problemáticas e, mesmo assim, pouco ou nada se faz para tentar alterar esta situação.

No entanto Ursula Rucker dá aqui o seu contributo, e quem ouvir no seu registo de spokenword com a atenção que merece, certamente irá tomar a consciência do papel que tem na sociedade e do que poderá fazer para combater contra estas injustiças.

A figura da mulher é algo a que Ursula Rucker dá especial destaque, referindo com a sua crueza e frontalidade já conhecidas, o papel da mulher nos dias de hoje e a constante exploração sexual que se faz em torno da sua figura.

Todas estas mensagens que Ursula Rucker nos transmite através da sua poesia, transformando as suas palavras pensativas e críticas em tiros certeiros que atingem algumas das questões mais delicadas da sociedade.

Em Ma’at Mama Ursula Rucker já não se faz acompanhar de vários músicos célebres que partilham consigo esta mescla de sonoridades com suporte no hip hop, mas que voa até ao jazz (muito presente neste disco), blues, soul ou funk, mas desta vez decidiu contar apenas com a ajuda de Anthony Tidd (membro dos The Roots). No entanto, este facto não provocou terramotos na música de Ursula Rucker, pois esses estão sim presentes em cada uma das palavras que esta cantora vai cantando ou declamando, capazes eles de abalar o espírito mais dormente.

Tenho pena que musicalmente não haja evoluções, mas Ursula Rucker continua interventiva e com uma mensagem que tem alguma esperança no futuro e que não pode ser ignorada.

7/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 20, Março, 2006.

 
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