Morrissey – Ringleader Of The Tormentors

Dois anos após o regresso que foi You Are the Quarry, Morrissey voltou aos discos, mas deixou as armas em casa e empunha-se dum violino. Ringleader of the Tormentors é já o oitavo disco de originais deste controverso cantor e, ao que parece, Morrissey abandonou o celibato e está feliz, à sua maneira. Sim, Morrissey desde sempre dizia que era celibatário, mas no último ano mudou-se para Roma e encontrou lá o amor, correspondido. Os fãs mais acérrimos não estão a achar muita piada a este facto, já sendo considerado por alguns como traidor. No entanto, estamos aqui é para falar do disco do senhor. Ringleader of the Tormentors desilude um bocadinho, mas não muito. Após a longa ausência de sete anos, Morrissey presenteou-nos com um dos seus melhores conjuntos de canções, em You Are the Quarry. O mesmo já não acontece neste novo disco.

“I Will See You in Far-Off Places” dá mote ao álbum, num registo à la Bollywood, uma das melhores canções que se pode ouvir no disco. O segundo tema do disco é onde temos a revelação: Morrissey tem sexo. Denominada “Dear God Please Help Me”, conta com os arranjos do muito conhecido Ennio Morricone, e é uma balada em tom épico bem bonita, mas onde falta aquela força indizível que nos arrepia na espinha e que já tantas vezes Morrissey criou. Nela podemos ouvir Moz cantar “now I’m spreading your legs, with mine in-between” – acho que já está tudo dito. E, pelo que dá entender, é um rapaz que é alvo dessa paixão – “then he motions to me, with his hand on my knee”. De seguida podemos ouvir o belo single “You Have Killed Me”, com o característico rock (com pozinhos glam) de Morrissey.

Além da colaboração de Ennio Morricone, Ringleader of the Tormentors conta com a produção de Tony Visconti (que já produziu David Bowie, T-Rex) e com a participação dum coro de meninos e meninas italianos em algumas faixas. Numa das quais, na excelente “The Yongest Was the Most Loved”, uma daquelas histórias típicas de Morrissey, sarcásticas até mais não, sendo o personagem principal neste tema um pobre rapaz que se tornou num assassino.

Mais para o final podemos ouvir um rock mais desgarrado em “I Just Want to See the Boy Happy”, onde Morrissey encarando a sua própria morte faz um pedido: “let’s face it soon I will be dead, and I just want to, I want to see the boy happy, with his arms around his first love, Is that too much to ask?”.

O disco fecha com “At Last I Am Born”, com um conjunto de cordas épico a abrir o tema, vindo depois umas percussões em estilo de banda filarmónica, para depois as guitarras percorrerem sonoridades mais latinas, para no final se tornar numa excelente canção pop em tom vaudeville, com crianças nos coros. Este tema é o reflexo perfeito da nova vida de Morrissey, ele renasceu – “I once thought I had numerous reasons to cry, and I did, but I don’t anymore, because I am born, born, born…it took me a long, long time”.

O problema de Ringleader of the Tormentors é não ter muitas mais canções a este nível, como se encontravam no anterior You Are the Quarry. Já é um bom disco, mas do nosso Moz exige-se o mundo.

7/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 31, Março, 2006.

 
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