Morrissey

Morrissey (Stephen Patrick Morrissey) começou por mostrar o seu talento com os Smiths. Nesta altura era um fã de James Dean, Oscar Wilde e dos New York Dolls (tendo sido o criador do seu clube de fãs). Moz formou a banda em 1982 juntamente com o guitarrista Johnny Marr. Mais tarde viriam a ser acrescentados à formação Andy Rourke (baixo) e Mike Joyce (bateria). A estreia do colectivo deu-se no The Ritz, em Manchester, sendo que durante esse ano foi tocando um pouco por todo o país, até conseguir criar uma legião de fãs e assinar contrato com a editora Rough Trade.

“Hand in Glove” foi o single que estreou a banda em registos discográficos, sendo que o tema conquistou o já falecido radialista John Peel, que a passava no seu programa várias vezes, o que levou a um grande sucesso nos circuitos alternativos. A pouco e pouco a banda foi amealhando cada vez mais popularidade, quer fosse pelas palavras controversas e tocantes de Morrissey, ou pelo estilo bamboleante e a exuberância rítmica de Johnny Marr.

Em 1984 viram chegar às lojas o seu disco de estreia homónimo, uma das estreias mais assombrosas da música. O disco mostrava bem a genialidade da escrita a dois de Morrissey e Marr, alcançado um enorme sucesso de vendas. Foi por estas alturas que começaram as polémicas à volta do vocalista e das suas letras carregadas de ironia, nomeadamente com o single “Suffer Little Children”, que tratava dum assassinato ocorrido nos Estados Unidos.

Enquanto não gravava um novo disco de originais, a banda foi lançando sucessivos singles, cada um mais brilhante que outro… e o sucesso a aumentar. Em 1986 editaram o tão esperado segundo álbum, Meat Is Murder, que lhes deu o seu primeiro lugar cimeiro num top de vendas. É deste álbum que se pode extrair o conhecido single “How Soon Is Now”, que como nenhum outro tema de Morrissey, nos encara com a sua escrita de nos cortar a respiração, que nos defronta com a sua alma torturada – “I am human and I need to be loved, just like everybody else does…”.

Meat is Murder veio confirmar o talento ímpar da dupla Morrissey / Johnny Marr. Entretanto, Morrissey continuava a causar polémica, quer fosse por se revelar implacável contra o governo de Margaret Tatcher ou por proibir os membros da banda de serem fotografados a comer carne. Dois anos depois editaram a sua grande obra-prima, The Queen Is Dead. Poucas semanas antes de acabarem as gravações do disco, juntou-se à banda o guitarrista Craig Gannon (ex-Aztec Cameras). Neste disco Morrissey compôs as suas melhores letras até hoje, com as quais salvou e ainda salva muitas almas perdidas, sendo letras de tal calibre que ainda nos dias de hoje qualquer adolescente se pode identificar com elas. Musicalmente é também o melhor disco dos Smiths, que marca Johnny Marr como um dos maiores guitarristas de sempre. Foi com The Queen Is Dead que a banda conseguiu atingir um maior sucesso no difícil mercado norte-americano. O single “Panic” foi mais uma vez motivo de grande controvérsia, originando várias acusações por parte dos jornalistas ingleses a Morrissey de que este era racista, acusações que o iriam assombrar também na sua carreira a solo. Mais tarde Morrissey decidiu despedir o baixista (pelo seu vício em heroína) e também o recém recrutado Craig Gannon.

A pouco e pouco a relação entre Morrissey e Marr, que tinha dado tão bons frutos, foi acumulando tensões cada vez mais graves, que tiveram um fim pouco antes do lançamento do quarto disco de originais, Strangeways Here We Come. Este disco mostra bem como haviam divergências quanto à direcção musical que a banda deveria seguir, devido à sua aura algo mórbida e aproximações às electrónicas. Um ano depois do fim do colectivo foi lançado o disco ao vivo Rank, sendo que ao longo dos anos têm sido editadas várias compilações com os temas míticos da banda de Manchester que revolucionou a música e influenciou muitas vidas.

Devido ao final dos Smiths, Morrissey decidiu enveredar por uma carreira a solo. Em 1988 apareceu com Viva Hate, o seu melhor disco a solo até à data. Contou com a aclamação da crítica e de fãs, atingindo bastante sucesso, muito graças ao single “Suedehead”. O álbum foi produzido por Stephen Street e contou com as colaborações de Vini Reilly (ex-Durutti Column) na guitarra e teclados e de Andrew Paresi na bateria. Tal como nos Smiths, depois do disco, Morrissey foi lançando vários singles, que foram em 1990 todos compilados em Bona Drag. Um ano depois Morrissey e o seu antigo companheiro de banda Johnny Marr foram confrontados com um processo judicial por parte dos antigos colegas Andy Rourke e Mike Joyce, que exigiam receber mais dinheiro pelo trabalho nos Smiths. Este foi um longo processo e manchou o nome de Morrissey nos jornais, pois foi considerado acusado de ser mentiroso e ganancioso.

No mesmo ano lançou Kill Uncle, disco onde contou com um novo parceiro para a composição, o guitarrista Mark E. Nevin (ex-Fairground Attraction). O disco foi uma desilusão a todos os níveis, sendo considerado, com justiça, o registo mais fraco de Morrissey. Devido a isto foi arrasado pela crítica.

No entanto, depressa o ex-Smiths soube rodear-se de boas companhias, como foram os casos dos guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, que deram a Morrissey no seu seguinte disco, Your Arsenal, uma sonoridade mais rockabilly. O álbum contou com a produção dum músico que Morrissey admirava muito, Mick Ronson, que fez parte dos Spiders from Mars quando David Bowie encarnou a personagem de Ziggy Stardust. Com este novo fôlego, Morrissey voltou a atingir elevados níveis de popularidade. Foi por estas alturas que a polémica voltou a estalar para os lados de Moz, isto devido à canção “The National Front Disco”, que levou a ressuscitar as acusações de racismo a Morrissey, isto porque este cita na música o lema da organização racista National Front – “England for the English” – não entendendo os jornalistas a ironia que sempre esteve presente nas letras do ex-Smiths. Devido ao grande sucesso do disco, Morrissey partiu numa longa digressão, a qual ficou registada no disco Beethoven Was Deaf, de 1993.

Em 1994 foi editado o quarto disco de originais do cantor, intitulado Vauxhall and I, que foi considerado pelo próprio como o seu melhor disco de toda a carreira. Bem mais marcado pelo tom emotivo, é um disco essencial para quem queira conhecer a música de Morrissey. Este foi o último registo que o cantor lançou pela EMI, deixando a editora para de juntar à RCA, que já tinha sido a casa de Elvis Presley, um músico de quem Morrissey era fã.

A estreia na nova editora fez-se com Southpaw Grammar. O disco não foi muito bem recebido, pois nele encontrava-se uma sonoridade bem mais agressiva, com muitas aproximações ao rock progressivo. Esta não era uma altura em que Morrissey vivesse às mil e uma maravilhas. Os jornalistas perseguiam-no, acusavam-no de ser racista, nacionalista, tudo o que o cantor dizia era interpretado à letra e servia logo para manchete de jornal. Além disso, este último disco foi criticado severamente. A popularidade do ex-Smiths não se encontrava nos seus melhores dias.

Em 1997 Morrissey lançou Maladjusted, que não conseguiu recuperar o sucesso de outrora. Mais uma vez foi arrasado pela crítica, desta vez injustamente, pois o disco, apesar de não ser dos melhores do cantor, tem momentos imprescindíveis. Foi neste ano que o longo processo de que tinha sido alvo no início da década por parte da secção rítmica dos Smiths teve um fim. Como entretanto Andy Rourke tinha retirado o processo, Morrissey e Marr tiveram que dar cera de um milhão de libras a Mike Joyce e ainda suportar os encargos dum processo tão longo, encargos que andaram à volta das 250 mil libras.

Este disco marcou uma fase de celibato musical por parte do músico (sendo que Morrissey desde sempre se assumiu como um celibatário a outros níveis, até aos dias de hoje, em que já houve algumas surpresas). No entanto continuou a dar concertos, sendo que visitou o nosso país pela primeira e única vez em finais de Outubro de 1999, mais propriamente nos Coliseus de Lisboa e Porto. Durante esta ausência mudou-se para Los Angeles e tornou-se vizinho de Nancy Sinatra.

Só em 2004 pudemos ouvir novas músicas de Morrissey. You Are the Quarry marcou esse regresso, que contou com o apoio de sempre de Alain Whyte e Boz Boorer. Este é o melhor disco de Moz desde a sua estreia com Viva Hate, regressando em excelente forma ao seu estilo sarcástico, polémico e comovente. O disco foi recebido de braços abertos tanto pela crítica como pelos fãs. Um ano depois editou Live At Earls Court que registava o sucesso que Morrissey voltava a viver.

Este ano o músico regressa aos discos com Ringleader of the Tormentors, que marca uma espécie de renascimento do cantor, pois parece que encontrou o amor na sua nova residência, Roma, e deixou o celibato para trás.

Morrissey é considerado, com toda a justiça, como um dos maiores letristas e cantores de sempre e tem uma carreira que merece a atenção e a devoção de todos.

João Moço

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~ por hiddentrack.net em 31, Março, 2006.

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