Switchblade – S/T (2006)

switchblade-st2006Os Switchblade são uma banda sueca que tem permanecido em relativo anonimato desde a sua formação, em 1999. Anónimos são também os quatro álbuns já editados (todos eles auto-intitulados / sem título) onde o trio composto por A. Steen, J. Folkesson e T. Bertilsson parece romper de sonoridade em sonoridade, ano após ano. O álbum de estreia, de 1999, o caos e agressividade predominavam; em 2001, o segundo lançamento revela composições mais calmas, melódicas e elaboradas, aproximando-se de nomes como Isis, 5ive ou Neurosis; em 2003 esta linha condutora mantém-se; e em 2006, para grande surpresa, a banda decide abrandar completamente e construir uma obra de doom/sludge/droner que os coloca ao lado de Khanate ou Sunn 0))).

Composto por apenas duas faixas, mas somando um total de 43 minutos de música, o novo álbum dos Switchblade é uma agoniante espera por coisa nenhuma. Imaginem-se a serem enterrados vivos e onde cada porção de terra que embate contra o caixão corresponde a cada ressonância distorcida de guitarras, a cada pulsar de peles da bateria. É um caminho austero e opressivo aquele que os Switchblade nos convidam a tomar. Fica o aviso.

A primeira faixa é composta por um único riff que se arrasta durante quase vinte minutos, verdadeiramente lento (volto a frisar: lento), enquanto os berros de “E”, vocalista dos Watain, parecem sair de um demónio sussurrante escondido numa floresta amaldiçoada. É um embalo tenebroso onde os silêncios são temidos mas recorrentes. A transição para a segunda faixa é feita por 7 minutos de distorção difusa. Apenas mais um prego no caixão, mais uma árvore desconhecida que surge enquanto se caminha perdido.

A segunda faixa, felizmente, foge à linearidade e monotonia (relativa) dos primeiros vinte minutos do álbum. Mas atenção, o ritmo mantém-se. Surge a voz de Mattias Fridberg (Logh), seca, abatida e perfeitamente consonante com o ambiente em que os Switchblade nos envolveram. A melodia emerge, pesada e claustrofóbica. A viagem já vai longa e o tédio parece já não acompanhar a lentidão. A três minutos do final, Fridberg explica-nos com invejável simplicidade o intuito do álbum: “Wake up. This was the show I gave to present you with an impression of life”; e como uma queda inesperada, a música cresce e acelera para um final apoteótico. A espera tinha um propósito afinal: era este momento, estes minutos finais em que a cabeça acompanha o ritmo de forma incontrolável e o volume máximo não parece suficiente. Terá valido a pena? Sim.

7/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 20, Abril, 2006.

 
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