Entrevista com The Gift

Nas comemorações deste ano do 25 de Abril, Odemira recebeu os The Gift como atracção principal. Provaram no concerto uma grande competência e profissionalismo e que sabem dar um espectáculo de entretenimento como ninguém. Após o concerto, os líderes da banda, Sónia Tavares e Nuno Gonçalves, concederam uma entrevista para a Rádio Maré Alta, que faz agora uma parceria com o hiddentrack.net.

Qual é a vossa opinião quanto ao concerto que deram agora aqui em Odemira e quanto ao público?

Nuno Gonçalves: Como a Sónia disse durante o concerto esta tem sido uma longa jornada. O último fim-de-semana foi longo e ela também foi sincera em dizer que foi um pouco cansativo. Mas não há melhor forma de acabar o cansaço do que chegar a um sítio destes completamente cheio como estava e ter as pessoas a vibrarem por uma causa que, apesar de já ter passado há algum tempo, ainda continua a ser nobre que é o valor da liberdade. Nós ficamos sempre contentes de vir aqui tocar nestas alturas. E o facto de nós termos vindo duma cena de Coliseu, que foi uma data difícil de preparar… Tivemos ensaios diários durante quase um mês e meio, depois fomos para Vila Real, Barcelona e hoje Odemira. Foi realmente uma jornada bastante dura, fisicamente e até psicologicamente porque são muitas horas de viagem. Mas foi óptimo, sentimo-nos super bem em palco e o cansaço ficou só mesmo dentro das carrinhas, graças a Deus.

O concerto do Coliseu foi um concerto muito especial, com vários convidados e muitas surpresas…

N.G.: O espectáculo que levamos a todo o País talvez tenha sido 70 por cento do que é o Coliseu. Não fazemos grandes diferenças entre os espectáculos das grandes cidades e das cidades mais pequenas, até porque vimos duma cidade muito pequena, que só há poucos anos é cidade, vimos duma vila mediana que é Alcobaça. E levámos durante muitos anos com isso, nos anos 80 e 90, em que as bandas levavam quatro, cinco luzes e só nas grandes cidades é que levavam a produção a sério. Tentamos sempre levar o espectáculo a sério para as pessoas, com o melhor som, melhor luz, com um ecrã único em Portugal e é isso que nós queremos. No Coliseu, obviamente porque também é uma sala maior, tivemos alguns convidados, o Rodrigo Leão e o Pedro Oliveira (ex-Sétima Legião e Cindy Kat) foram tocar dois temas connosco, estreámos uma música nova que por acaso hoje também tocámos cá. Portanto, são sempre concertos que estão rodeados duma grande emoção e é basicamente isso, uma sala maior.

Acreditam mesmo que existe o movimento Madbaça?

N.G.: Os críticos gostam sempre de ter alguma coisa para falar. Dizem bem, dizem mal ou então têm alguma coisa para falar e essa história do madbaça foi muito curiosa porque o Madchester que se criou nos anos 80 em Manchester era um movimento que tinha bandas, tinha noite, tinha clubes, tinha coisas boas na música, mas também tinha coisas muito más que eram as drogas, as dependências e os artistas a chegarem rápido demais e para logo caírem em decadência. Portanto se o Madbaça significa bandas boas, pessoas a divertir-se e criatividade efervescente, eu assino por baixo; tudo o resto não, portanto quando se fala em Madbaça é sempre um bocadinho estranho porque quem é conhecedor do movimento que foi o Madchester também não ia achar muita piada. Acho que Alcobaça é uma cidade que, apesar de não ter muito apoio cultural em termos camarário, tem bandas com um sangue quente, que gostam de tocar, gostam de experimentar, gostam de se juntar com os amigos e fazer bandas. A partir do momento em que há uma banda como os Gift que consegue conquistar os mercados nacionais e internacionais ainda ganha mais motivações e nós ficamos orgulhosos também de traçar de alguma forma o caminho para eles. Depois temos também o Clinic, que é um clube onde se levam lá quase mensalmente as bandas novas portuguesas, as bandas internacionais, DJs nacionais e internacionais, o que também estimula criativamente as pessoas, portanto existe realmente ali uma grande criatividade à volta daquela cidade.

E identificam-se de alguma forma com o som de Madchester, de bandas como New Order, Joy Division…

N.G.: Não são influências directas, mas são bandas que ainda ouvimos obviamente. Mas não podemos dizer que são influências directas da banda, não considero.

A aposta que têm vindo a fazer no estrangeiro ao longo dos anos já deu muitos frutos?

Sónia Tavares: Vamos tendo alguns frutos. De qualquer forma, o que andamos a fazer no estrangeiro, nomeadamente em Espanha – tivemos algumas datas na América e pontualmente em Londres e por aí fora -, passo a passo, vamos tentando implementar o nosso nome. O que nós pretendemos é ter o nosso disco nas lojas, bem distribuído, com um bom selo, que é o que conseguimos agora em Espanha. Andamos em digressão lá ao mesmo tempo que aqui em Portugal, temos sempre muito trabalho. Mas o que queremos para nós, para os Gift… não sonhamos em ser famosos internacionalmente. Isso também é sonhar… ainda que se possa sonhar, não é? Mas não somos loucos, temos os pés bem assentes na terra. Queremos ter o nosso disco bem distribuído, bem promovido, com os concertos devidos e com os concertos que fazem parte da promoção dum disco. Queremos também que as pessoas, pelo menos num mercado mais pequenino, talvez mais alternativo, nos vão conhecendo passo a passo e que nós possamos continuar por aí fora nesses países. Era loucura ficar a fazer digressões atrás de digressões aqui em Portugal. Há muitas pessoas que se acomodam a ganhar o seu dinheiro aqui em Portugal e ficam à espera que as coisas vão acontecendo sempre aqui e estão bem. Nós também estamos bem, o nosso povo é o português, o nosso público é o português e é obviamente para ele que trabalhamos. Mas como gostamos muito daquilo que fazemos, achamos que ir além fronteiras não nos faz mal nenhum. Muito pelo contrário: se não conseguirmos nada, pelo menos não morremos sem tentar.

Têm, sendo assim, uma grande necessidade de arriscar?

S.T.: Sempre tivemos necessidade de arriscar e acho que é por isso que estamos onde estamos hoje.

Com todo o sucesso que tiveram com o último disco AM-FM e por terem ganho um dos prémios MTV, sentem muita pressão na composição do próximo disco?

N.G.: Nós sempre nos escapámos da pressão. Ela nunca correu muito atrás de nós e se ela correu, nós corremos mais depressa. Não, não sentimos isso. Primeiro porque…eu compreendo que exista alguma pressão a nível internacional de grandes bandas que vendem milhões de discos e aí há até uma pressão editorial. Agora, pressão criativa… não creio que qualquer artista sinta uma pressão, para ser sincero. Acho que se a pessoa vender a música que faz e esta lhe vier de dentro, essa inspiração não vai acabar. Um amigo meu tem uma expressão muito engraçada que diz “a inspiração sabe onde tu moras e a qualquer momento ela vai lá bater-te à porta”. Portanto tens que ficar em casa à espera e tentar. É um bocado isso, porque isto de fazer música…obviamente que há muita inspiração, mas também tem que haver muita transpiração, como eu costumo dizer. Então acaba por ser isso. A pressão nós não lidamos com ela.

Com a apresentação deste novo tema, já estão a pensar em datas para a composição dum novo disco?

N.G.: Nós desde o início deste ano que preparámos um grande projecto que foi gravado há três semanas atrás: um DVD ao vivo da banda que foi encarado como um novo disco. Este novo disco dos Gift vai sair ainda até ao final deste ano. Foram duas noites gravadas num estúdio de televisão só com convidados. Fizemos também um passatempo na Internet para os fãs irem. Foram duas noites onde foram recordados temas velhos e temas mais recentes, todos remisturados, rearranjados e reapresentados sob a batuta do conceito AM-FM. Tínhamos um lado mais íntimo, que foi a primeira noite, onde tínhamos um cenário adequado e as pessoas estavam sentadas num habitat adequado a essa estética. Passados dois dias, resolvemos gravar sobe a batuta do lado FM outras canções mais mexidas, com ar mais dançável. Esse documento foi gravado e ainda vai ser lançado este ano e acreditamos que mais que um disco ao vivo é um novo disco dos Gift, apesar de não ter originais. Todas as músicas estão diferentes do que está gravado, do que está registado, o que torna a obra muito importante. Doze anos depois de começarmos achámos que era importante fecharmos um ciclo de carreira e acho que nesse DVD ao vivo – vai-se chamar Fácil de Entender e é mesmo por isso – vai ser fácil de perceber o crescimento da banda e o que é a banda doze anos depois.

No primeiro álbum, Vinyl, tinham uma música em português e neste último também. É um campo onde querem explorar mais ou ainda não se sentem completamente confortáveis?

N.G.: Nós…não exploramos mais ou não…a Sónia é que escreve e não…

S.T.: O “Fácil de Entender” foste tu que escreveste.

N.G.: Pois, o “Fácil de Entender” fui eu que escrevi. Mas nós achamos que a questão do cantar em inglês e em português não tem a ver com a maneira como nós comunicamos. Acho que se nós tivéssemos nascido em Inglaterra não fazíamos a música que fazemos hoje porque, apesar de tudo, acho que há muita portugalidade na música dos Gift. As pessoas no estrangeiro costumam dizer que há alguma melancolia. Eu não gosto muito da palavra, prefiro utilizar “esperança” e acho que há alguma na música dos Gift. Não utilizamos obviamente instrumentos das raízes culturais portuguesas, não utilizamos a voz como arma em relação ao português, mas esteticamente achamos que o nosso caminho foi traçado em inglês há doze anos atrás. Não estávamos sequer a pensar há doze anos atrás que o estrangeiro gosta mais disto, não era nada disso. O que é certo é que nós quando tínhamos catorze ou quinze anos, quando começámos a banda, se calhar 80 ou 90 por cento da música que ouvíamos em casa, nos rádio dos nossos pais e se calhar nas televisões dos nossos pais era anglo-saxónica, o que acaba por ser um influência directa. Talvez se fosse o contrário e nós tivéssemos uma televisão e uma rádio que passasse 90 por cento de música portuguesa talvez fosse diferente, ou não. Foi uma questão estética, tal como nós quando chegámos ao primeiro ensaio e dissemos “não vamos usar bateria, vamos usar uma caixa de ritmos” foi da mesma forma que dissemos “vamos cantar em inglês”. Foi uma questão estética e não foi…não quisemos ser mais do que éramos, de maneira nenhuma.

Então como vêm certas opiniões que consideram que as bandas portuguesas que cantam em inglês, para a rádio, não são consideradas música portuguesa?

N.G.: Há uma história muito curiosa…

S.T.: Deixa-me só dizer uma coisa antes de continuares. Ao fim de trinta e dois anos desde que somos livres e num país com liberdade de expressão, acho que cada um se deve exprimir da maneira que quiser, ainda mais como a música como forma de comunicação. É uma forma de arte e de comunicação. Se eu consigo comunicar com as pessoas através da minha música, mesmo que as pessoas não entendam aquilo que estou a dizer, com certeza que entendem aquilo que eu digo quando estou num palco e comunico com elas. Mesmo que fosse em chinês, iriam perceber a esperança das músicas, a alegria, a melancolia, aquilo que eu sinto e que lhes estou a transmitir. Portanto acho que, mais do que a língua, é importante saber comunicar com as pessoas e é isso que nós fazemos. Acho que qualquer pessoa deve comunicar da maneira que quiser, com os seus limites obviamente (risos).

N.G.: As pessoas que dizem isso ou só ouvem rádio ou não vão aos concertos, porque hoje ficou provado que a língua não é barreira nenhuma. Pelo contrário, as pessoas cantam as canções e não é por aí. Sou contra qualquer fundamentalismo, também contra o das pessoas que dizem “não não, nós só queremos cantar em inglês”. Isto também é absurdo. Há uns anos atrás, dizia-se que as bandas que cantavam em inglês não vendiam. Entretanto houve um boom de bandas com letras em inglês que começou com os Blind Zero, depois os Silence 4 e depois os Gift. Então as editoras só queriam bandas que cantassem em inglês. Eu sou completamente contra esses fundamentalismos. Não vamos seguir o que as pessoas gostam ou o que as pessoas querem. Vamos dar liberdade às pessoas e se elas quiserem cantar em inglês e aquilo for bem feito, bem trabalhado e bem comunicado, porque não? Mas eu acho que é tão grave como chegarmos ao pé da Paula Rêgo e dizermos assim: “Paula, só vais usar amarelo, verde e vermelho porque essas são as cores da nossa bandeira”. Acho que é quase tão absurdo quanto isso.

A língua por vezes pode ser uma barreira para quem não percebe, mas visualmente têm um grande cuidado estético, sendo das bandas nacionais que mais se preocupa com esse lado. É algo que querem continuar a explorar?

N.G.: Hoje em dia, em qualquer projecto que se faça, artístico ou empresarial, a imagem é fundamental em termos de comunicação. Se nós nos podemos apresentar bem, de acordo com os nossos ideais e com as nossas regras, porque não? Não vamos ser contra-natura, a nossa natureza é essa.

S.T.: Não esquecendo que a nossa mais valia é a música obviamente, porque também se houver muita imagem mas não houver qualidade, as coisas não funcionam.

N.G.: Nas boys bands existia muito isso.

S.T.: Exactamente. Temos valor e acreditamos naquilo que fazemos. Senão, não adiantava andar aqui a pregar a nossa oração. De qualquer forma é obvio que há um prolongamento estético daquilo que fazemos. Porque não aliar e porque não chegar a uma praça onde estão milhares de pessoas e dar-lhes um espectáculo bonito? Chegamos, mostramos aquilo que temos a mostrar, a nossa música, as nossas canções com tudo aquilo que elas dizem, mas também com um espectáculo que leve as pessoas a dizer: “que grande espectáculo que eu vi” ou “venho preenchida” ou “foi uma coisa que vivi muito muito intensa”. É lógico que não vamos deixar de fazer isso. Se chegássemos com quatro guitarras, possivelmente só com quatro luzes, também poderíamos comunicar com as pessoas dessa forma e se calhar os sentimentos ou a intimidade seria outra, mas nós gostamos que as coisas funcionem assim.

Como apreciadores de música que são, como vêem o panorama musica actual e quais as bandas que vos têm suscitado maior interesse?

N.G.: Como eu disse ainda há pouco, chegam ao Clinic em Alcobaça muitas bandas novas, muitas maquetes, muito sangue novo. Contudo, eu acho que existe um movimento do hip hop que está a crescer cada vez mais e que é importante ter em atenção porque, mais tarde ou mais cedo, vão surgir bandas que vão fazer um cruzamento de gerações e acho isso muito interessante. Depois existem os clássicos, que apesar de serem novos já são clássicos, como os Clã, como o caso dos Blind Zero, como o caso – vou voltar ao hip hop – dos Mind da Gap, que é uma banda que já aqui anda há algum tempo e tem sido muito consistente no trabalho que tem feito. Depois existem os clássicos que sinceramente não posso dizer que goste muito, porque são os artistas mais velhos. Não são bandas com que me identifique muito; quando digo que não gosto muito é porque não me identifico muito mas é natural e toda a gente tem o seu espaço. Contudo do sangue novo existem muitos pólos fora de Lisboa que estão a fazer música muito boa: Castelo Branco tem um pólo com os Norton e os Musgo, uma banda que tem um nome interessantíssimo e muito português; Coimbra tem feito coisas óptimas com os Bunnyranch, já há alguns anos atrás com os Belle Chase Hotel, com os WrayGunn, com o Legendary Tiger Man; Leiria teve o David Fonseca e os Silence 4, os Phase, tem agora um rapaz novo que já me disseram muito bem que ganhou o Termómetro Unplugged, que não recordo o nome, já para não falar de Alcobaça, obviamente; das Caldas saiu o Gomo. Estamos a viver uma mutação de gerações e acho que daqui a quatro ou cinco anos os Gift já vão ser considerados a velha guarda. Isto significa que vamos num bom caminho de ir descobrindo cada vez mais coisas. Acho que as pessoas também estão um bocadinho mais selectivas e isso aumenta a qualidade.

E mesmo a nível internacional, quais as bandas que actualmente vos suscitam maior interesse?

N.G.: Vivemos numa altura de muita confusão, porque se dantes havia uns estilos determinados, hoje a música é um cruzamento de influências. Está-se a viver uma fase muito criativa, que vai desde as pistas de dança até ao rock muito interessante. A última banda que vi muito interessante foram os Arcade Fire. Há um projecto que lançou um disco o ano passado que se baseava em voz, piano e bateria, que se chama Antony and the Johnsons e que revelou, apesar de ter um formato super simples, uma voz excelente e uma maneira de fazer canções muito interessante. Portanto existem coisas muito interessantes a serem feitas hoje em dia, não só pela nova geração, como por uma geração mais antiga. Depois existem bandas que são bandas de sempre, apesar de nós já as ouvirmos há muito tempo. Hoje em dia, uns Coldplay, uns U2… continuam a ser os U2.

S.T.: Os Flaming Lips…

N.G.: Bandas mais novas da América. Apesar de já andarem cá há 20 anos, os Flaming Lips; e depois obviamente nunca nos podemos esquecer uns Rádiohead ou uma Björk, que são pessoas que apesar de venderem milhões de discos, conseguem estar sempre na vanguarda da tecnologia, da criatividade, e isso é muito interessante.

Como é que vêm actualmente o papel da Internet na música, através da pirataria, dos blogs, do MySpace…

N.G.: Para ser sincero, nós sabemos que temos o nosso MySpace mas eu ainda não entrei muito nisso. Eu tenho uma opinião muito realista dessas coisas. Se nós vamos tocar a Espanha e temos um disco vendido e cem mil downloads feitos significa que vamos ter muita gente nos concertos, significa que a música dos Gift está a passar a palavra e que, mais tarde ou mais cedo, as pessoas vão acabar por comprar os Gift. Eu acredito sinceramente nisso como meio de promoção e de passar as canções. Portanto eu acredito que para essa geração cibernauta, apesar de ser uma geração desprendida do objecto CD, mais tarde ou mais cedo se vai legislar o download ilegal. Havia uma campanha cá em Portugal que ganhou prémios internacionais que dizia: “fumar não é cool, o que é cool é fazer surf e ainda por cima não fuma”. E eu acho que mais tarde ou mais cedo se vai dizer: “é cool fazer downloads a pagar”. São 99 cêntimos, portanto não é muito. E acho que se criar essa opinião pública e se fomentar as pessoas a pagar 99 cêntimos por uma canção, que dá 10 € por um disco, eu acho que vai correr tudo bem. Se não, para as bandas que estão a começar, a Internet é óptima porque divulga, promove, e mais pessoas vão aos concertos, mais pessoas se calhar compram uma t-shirt. As bandas acabam por sobreviver também assim. Depois há as editoras… Nós somos a nossa própria editora, por isso podemos falar de cor dessas situações. As editoras queixam-se muito da pirataria mas a tecnologia permite-lhes, por exemplo, venderem toques de telefone, venderem imagens, videoclips, venderem uma data de coisas. Estas são receitas extra que há uns anos atrás não havia e que agora aparecem. Não batam tanto na tecnologia porque ela daqui a uns anos vai ser o suporte de toda a indústria.

Como já aconteceu com os Clap Your Hands Say Yeah e os Arctic Monkeys, acreditam que a Internet é actualmente o meio de promoção mais eficaz?

S.T.: Sim e sabendo que os Arctic Monkeys começaram no MySpace também, que ganharam milhões de amigos (como se diz no MySpace) e não foi por isso, não foi pela pirataria que deixaram de vender milhares de discos. e nós dizemos normalmente que o nosso público-alvo é aquele que pirateia. O público-alvo dos Arctic Monkeys são os piratas e no entanto eles venderam milhares de discos, portanto…

N.G.: Eu acho que também tem a ver como se promove o produto e como se chega às pessoas. [A Internet] não me assusta minimamente. Se há uns anos atrás as pessoas que gostavam muito de música tinham que lutar (e isso acontecia comigo: se a minha mãe me dava dinheiro para almoçar, tínhamos que tentar fazer poupanças para no final no mês comprar um disco). Se calhar se na altura tivesse Internet na minha casa, eu ia hoje conhecer muito mais música e os Gift iam ser muito melhores, portanto temos que ver as coisas pelo lado positivo. Vamos acreditar que o facto de haver muita informação pode ajudar a criatividade.

Esta última digressão do AM-FM ainda se vai estender por muitos meses?

S.T.: Vai-se estender até 28 de Setembro, mais ou menos. Pelo menos é o último concerto que temos agendado. Será no Du Arte Garden nos jardins do Casino do Estoril, porque apesar de tudo ainda há muita gente que não conhece os Gift e há muita gente que não associa a música há banda. Por exemplo, imensas pessoas que conhecem o “Music” que tanto passa na rádio mas que não o associam a nós. É interessante continuar a explorar cidades como Odemira e tantas outras, em que há muita gente que não nos conhece. E este tipo de festas, este tipo de acontecimentos são fantásticos para que as pessoas possam passar um bom bocado e fiquem a apreciar a nossa música. Portanto eu acho que AM-FM ainda não teve o seu término, até porque temos uma canção ainda a passar imenso nas rádios, estamos no top de airplay há semanas e acho que ainda não faz sentido matar este disco com o final da digressão.

N.G.: Temos sido solicitados e só o ano passado fizemos 95 datas em Portugal. Mesmo assim sentimos que tinham havido quase 50 pedidos de concertos que não tínhamos conseguido fazer. Então isso não fazia sentido. Se há pessoas que nos querem ver e houve cidades e vilas que não conseguimos fazer, vamos tentar fazê-las este ano. E é isso que estamos a fazer.

João Moço

Parceria com o programa “Café Sudoeste” na Rádio Maré Alta

abril.2006

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~ por hiddentrack.net em 25, Abril, 2006.

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