O Blitz morreu. Viva a Blitz!

Se pela Internet nascem e morrem projectos todos os dias, o mesmo não costuma acontecer relativamente aos periódicos editados em papel. Por isso é que este é um tema inevitável para todos os que vivem rodeados de música em Portugal.

Andou por aí mais de 20 anos. Foi, durante muito tempo, o grande farol para todos os melómanos portugueses mas com o advento da Internet foi perdendo o fulgor. Deixou de revelar para passar a ser apenas reflexo da música do momento, mais ou menos específica, mais ou menos na moda. O ciclo terminou esta segunda-feira, dia 24 de Abril de 2006, com o último número do semanário Blitz.

Perdoem-me os ultra-cépticos. Não consigo deixar de ficar entusiasmado com as possibilidades que se abrem para nós com a nova revista mensal especializada que nasce desta mudança. Espera-se mais e melhor informação e opinião. Espera-se utopicamente das “mais de cem páginas” que sejam como tudo o que de melhor conseguimos encontrar nas mais importantes revistas internacionais do género. Não o será, certamente. Mas se lá ficar perto não será um mau início.

Se for, por outro lado, para nos dar publicidade em metade das páginas – como se não bastasse já a publicidade disfarçada e inevitável neste tipo de publicações – ou tops manhosos relativos à música que mais me fez chorar numa noite fria de Verão entre 1988 e 1997… a mudança terá sido inútil. Não sei como será a Blitz mas acredito que não será isto.

Preocupa-me o processo de mudança na redacção: era necessário modificar muita coisa, desde os que escrevem até ao formato dos textos. Consta que a nova revista dispensa o trabalho de dez dos colaboradores do jornal mas fica por saber se entra ou não sangue novo no dia-a-dia da publicação.

Espera-se do novo director Miguel Cadete que corte com a linha editorial das duas anteriores direcções. O que pode isto significar? Mais música mais alternativa? Uma espécie de Filter mensal e à portuguesa? A primeira opção dificilmente pode ser tomada fora de um conjunto de outras iniciativas. O objectivo de alargar o público da revista a isso obriga. A segunda apresenta-se como uma forte possibilidade, sobretudo tendo em conta a atenção prometida ao cinema e à literatura. Mas não sei.

Sei, no entanto, que lá para a segunda quinzena de Junho – altura prevista para o lançamento da primeira edição da revista – terei umas moedas para dispensar. Depois logo se vê.

Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 25, Abril, 2006.

 
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