Pearl Jam – Riot Act

Um nervoso miudinho paira sobre Riot Act (2002). O sétimo longa-duração dos Pearl Jam é um registo ambíguo. Por um lado, é perfeitamente olvidável e inofensivo. Por outro, é complexo – provavelmente o mais complexo que os Pearl Jam editaram – e interessante.

Os singles “Love Boat Captain” e “I am Mine”, por exemplo, são temas muito bem construídos e de melodias fortes. Os temas mais devotos à guitarra são, curiosamente, os menos bem conseguidos deste álbum estranho: ouça-se “Get Right” e “Ghost”.

É a aventura que consegue surpreender pela positiva. Quando a banda tenta ultrapassar as suas fronteiras históricas e mete a guitarra a soar como em “You Are”, as coisas ficam mais fáceis. Por outro lado, temos “Arc”, uma espécie de interlúdio nada vantajoso para o vocalista Eddie Vedder que passa rápido, felizmente.

Riot Act não consegue impor-se ao passado da banda. Aparentemente, nem sequer tenta. Passa devagarinho porque é longo… mas não o suficiente para ficar na memória. E é realmente complicado explicar porquê. É que, aparentemente, na sua maioria, cada tema funciona bem por si. Mas o conjunto é como uma massa informe de canções. Talvez seja o resultado de uma certa amenidade. Definitivamente, neste caso, o meio termo desinteressa.

Acaba por ser na melodia que a diferença se faz. É por isso que “Thumbing My Way” acaba por ficar na cabeça. Melodia simples e instrumentalização discreta fazem deste tema semi-acústico um dos melhores de Riot Act.

De resto, o já referido “I am Mine” é uma pedra preciosa. Os versos “I know I was born and I know that I’ll die / The in-between is mine / I am mine”, qual ovo de Colombo, são de uma grande lucidez.

Quando conseguem aliar a musicalidade às mensagens de Vedder, os Pearl Jam demonstram grande potencial. Mas isso acontece muito pouco neste disco, infelizmente. No meio de tantas faixas, é pena que faltem tantas canções.

6/10 | Filipe Marques

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 3, Maio, 2006.

 
%d bloggers like this: