Pearl Jam – Vitalogy

Graças à sua produção “nua”, Vitalogy demarca-se como o álbum mais original e sem compromissos dos Pearl Jam. Mesmo não sendo um álbum de conceitos, Vitalogy soa como tal. A morte e o desespero inundam o álbum, quase emudecendo a celebração explosiva de “Spin The Black Circle”.

Mas a nuvem negra acaba por ser uma vantagem para os Pearl Jam, injectando tensão nervosa para as canções mais rock como “Last Exit” e “Not for you”, e especialmente às baladas introspectivas “Corduroy”, “Better Man” e “Nothingman”. Estas últimas e, comparativamente ao que sucede com “Black” no álbum Ten (1991), são musicas tão especiais e com letras tão intensas que, mesmo alguém que não goste ou não conheça os Pearl Jam, não consegue ser-lhes indiferente – é como se relatassem intimamente situações da nossa própria vida.

No entanto, o que Vitalogy tem de bom também tem de mau. Entre as canções mais rock existem faixas com sons estranhos – a música com um toque de funk “Aye Davanita”, o som do acordeão quase que a fazer lembrar Tom Waits em “Bugs”, a música supersónica “Hey Foxymophandlemama, That’s Me” e a faixa “Satan’s Bed”, que quase defraudam o álbum por não se conseguir perceber o porquê da sua presença, ou até mesmo da sua existência. São como se tivessem sido feitas durante alguma crise de identidade dos Pearl Jam.

Como conclusão, a ideia a reter de Vitalogy é que os Pearl Jam encontram-se no seu melhor quando estão envolvidos em lutas, quer seja com a Ticketmaster, com a fama, ou até mesmo com os seus demónios pessoais.

8/10 | Alexandra Silva

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~ por hiddentrack.net em 3, Maio, 2006.

 
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