Pearl Jam – Yield

O álbum que sucede a No Code (1996), de seu nome Yield, é similar em bastantes coisas com o seu antecessor. Assim tinha de ser, pois com o anterior os Pearl Jam iniciaram o seu percurso de experimentação e com este, apesar de algumas variações, deram-lhe continuação. A preocupação pela maturidade e consistência neste novo álbum é notória mas é de atentar ao facto de haver uma espécie de mutação que encerra o estigma do grunge. Em Yield, assiste-se a uma aposta em faixas num rock mais puro e assumido.

“Brain of J.” destaca-se por pelo seu ritmo contagiante e “Wishlist” é, muito provavelmente, das melhores produções da banda. Assim que se começa a ouvir, dificilmente alguém será capaz de não se converter à sua melodia hipnotizante e à letra tão simbólica. Numa palavra: perfeita.

“Given To Fly” é igualmente uma belíssima música mas, como é de conhecimento de meio mundo, é produto de mais uma influência em Pearl Jam, desta vez dos Led Zeppelin. “Do The Evolution” é difícil de passar ao lado. Eddie Vedder narra a evolução do Homem através de uma letra sarcástica e irónica onde fala de Deus e de todo o nosso comportamento enquanto seres humanos exemplares (ou o inverso), o próprio título da faixa acaba por dar as pistas. O videoclip desta faixa, produzido por Todd McFarlane (também conhecido pela criação da personagem Spawn), ajuda a compreensão total da sua mensagem.

“Mfc” prima pelo rock electrizante, resultado de um óptimo trabalho das guitarras, e para encerrar o álbum a escolhida foi “All Those Yesterdays”, onde a qualidade de compositor de Stone Gossard é magnificamente comprovada. Uma das surpresas neste álbum é a faixa escondida. Um minuto após o final de “All Those Yesterdays”, surge um instrumental que fecha, assim, este trabalho da forma que merece.

Este álbum é notório de evolução e há uma consistência no percurso já anteriormente iniciado pela banda. Com este trabalho, os Pearl Jam conseguiram cativar de novo alguns cépticos que se tinham afastado, devido em grande parte à desilusão de No Code. É um dos melhores em toda a carreira da banda.

8/10 | Maria Rocha

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~ por hiddentrack.net em 3, Maio, 2006.

 
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