Final Fantasy – He Poos Clouds

Não, não vou falar sobre esse conhecido videojogo chamado Final Fantasy. Vou sim falar-vos do novo disco de Owen Palett que, para quem não sabe, é colaborador assíduo dos Arcade Fire (com quem costuma andar em digressão) e Hidden Cameras. Mas também costuma fazer música para jogos de vídeo, daí ter escolhido o nome Final Fantasy para retratar este seu projecto a solo.

O ano passado estreou-se com Has A Good Home, disco bonitinho de canções pop com o violino a desempenhar o papel de protagonista. Mas o disco tinha um pequeno defeito: não tinha canções exuberantes que nos fizessem saltar da cadeira de entusiasmo. Has A Good Home mostrava um bom compositor, com belas ideias e uma mestria a tocar violino. Mas o resultado final não era excelente como se esperava de alguém que compôs as orquestrações para essa obra-prima que é Funeral dos Arcade Fire.

Este ano voltou a editar sob o nome Final Fantasy e eis que o que se esperava à primeira aparece à segunda. He Poos Clouds, o título do novo disco de Owen Palett, presenteia-nos com a qualidade que já se esperava deste violonista.

Desta vez Owen Palett não se restringiu à sua delicada voz, ao violino e o pedal de efeitos, agora também podemos ouvir harpas, piano, violoncelo, percussões, acordeão, coros. Palett continua a manter uma extrema sensibilidade e fragilidade na voz (o que não é um caso negativo neste caso), mas o que a cerca está mais exuberante, com melodias em quase tom de ópera. E toda esta exuberância envolve-nos e transporta-nos para os jogos de vídeo para os quais o músico faz música ou nos quais ele se inspira para compor, como se fôssemos uma daquelas personagens que vivem num mundo do fantástico, onde a realidade é algo que não se sabe o que é. Há uma ambiência épica que povoa o disco, mas nunca soa exagerado ou forçado. Este é o mundo fantástico que o músico vive na sua inconsciência e foi isso que nos quis mostrar. Liricamente Owen Palett também nos mostra histórias fora do comum, onde temas como o suicídio, e até alguma política, surgem vestidos dum humor negro, mas refinadíssimo.

Has A Good Home tinha canções pop competentes e que não envergonhavam. Em He Poos Clouds o lado pop não está assim tão evidente. Devido às melodias complexas, cheias de mistérios, de inesperados, pois ao ouvirmos o início duma canção podemos pensar que ele seguirá por um determinado rumo, e no final Owen Palett troca-nos as voltas. Neste seu segundo álbum de originais há alguma complexidade barroca, toadas clássicas, que brincam com a estrutura tradicional da pop.

Às vezes também sabe bem fugir da dura realidade e abstrairmo-nos em mundos paralelos imaginários. He Poos Clouds pode ser a porta para tal.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 29, Maio, 2006.

 
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