Sufjan Stevens

É um dos nomes mais interessantes do panorama musical norte-americano dos últimos anos. Sufjan Stevens passeia-se com graciosidade pela música folk e é um homem dos sete ofícios no que diz respeito a instrumentos. Toca bastantes – entre os quais o banjo – e tem tido uma ou outra ajudas externas… mas a maior parte do trabalho é feita por ele. Ninguém diria.

Vamos deixar os Marzuki – primeira banda de Stevens – e os seus dois primeiros álbuns a solo para depois. Porque há projectos curiosos e corajosos que merecem mais destaque do que outros. Porque Greetings From Michigan: The Great Lakes State (2003) parecia só um grande álbum de homenagem ao estado natal do músico mas acabou por ser muito mais do que isso.

Pois bem, o álbum de homenagem virou primeiro passo de um projecto audaz: lançar um registo por cada um dos Estados Unidos da América. Stevens não foi propriamente esclarecedor na altura. Muita ironia pelo meio das conversas sobre o eventual projecto.

Pois bem, o amor ao Michigan não se perdia (informação não confirmada). O método, por seu lado, passava a ser de ouro. É que dedicar um álbum a um estado relativamente bem conhecido parece ser muito diferente de focar atenções em locais com os quais não se está tão familiarizado. Mas no fim, imagina-se que tudo vá acabar em música. E neste campo, Sufjan Stevens já mostrou que se sente em terreno confortável.

Em 2004 veio Seven Swans – não, não é um estado – e o início dos trabalhos para o segundo passo do projecto megalómano. O resultado surgiu no Verão de 2005 e transformou-se num clássico instantâneo. Illinois veio e arrasou a concorrência. A sua dimensão desmedida quase provoca arrepios. Pense-se então que, a julgar que Stevens quer mesmo avançar com o resto, ainda faltam 48.

Por enquanto, ainda não há certezas quanto ao próximo estado. Há especulação por aí e uma passagem pela Wikipédia dá algumas pistas: Oregon, Rhode Island, Arkansas e Minnesota. Mas fica-se por aqui relativamente a candidatos. Não é como se se soubesse realmente onde é que vai aterrar a criatividade de Sufjan Stevens. Até pode ser que ele se deixe disto por agora e volte daqui a algum tempo.

Certo é que o multifacetado músico norte-americano já está aí outra vez com The Avalanche. Este álbum é constituído por material das sessões de Illinois que não foi aproveitado para o álbum. Destacam-se as três versões de “Chicago” e o tema-título “The Avalanche”, peça central do puzzle.

Fazer um álbum por cada estado norte-americano não parece tarefa fácil, mesmo quando se tem apenas 30 anos e se espera estar por cá mais algum tempo. Mas – e eu já disse isto – é melhor que Sufjan Stevens cuide bem da sua saúde se quer acabar a saga. E espera-se que a acabe. É que por aqui ninguém quer pensar num álbum de Stevens que não se refira a um estado. Seria desperdiçar meses valiosos. Mesmo que ele se saísse com o melhor álbum da década – e por mais redutor que isto pareça – haveria certamente muita gente a cobrar tamanho desapego à causa dos estados. Já que começou…

Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 18, Junho, 2006.

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