Muse – Black Holes and Revelations

Os Muse tornaram-se muito conhecidos por uma ou outra semelhança com os Radiohead numa primeira fase – culpemos Matthew Bellamy por ter a voz muito colada à de Thom Yorke. Mas depois de um período de vacinação – e apesar de ainda hoje ser hábito comparar as duas bandas por terras de Sua Majestade – passou-se à música propriamente dita. Desde essa altura, quando se pensa nos Muse, pensa-se num rock de intenções e melodias épicas, como que fundindo a garagem e o estádio num só palco. Foi assim em Showbiz (1999), em Origin of Symmetry (2001) e em Absolution (2003).

Pode parecer que os Muse mudaram mas não deixem que o single “Supermassive Black Hole” vos engane. As letras continuam a prever para breve um qualquer apocalipse e a guitarra continua a gritar aos nossos ouvidos (ainda que às vezes seja um piano com distorção enganadora). Está bem, “Supermassive Black Hole” é claramente diferente do que se esperaria. À primeira audição pode mesmo provocar uma gargalhada incontida… mas após a terceira ou quarta vez já poderá parecer possível. Na verdade, é como se os Eagles of Death Metal tivessem feito uma perninha nas gravações.

Quanto a Black Holes and Revelations (2006), não é, de facto, muito diferente dos anteriores. Continuam os crescendos melódicos a alternar com a tensão do baixo e os solos de guitarra destrambelhados do vocalista/guitarrista. As músicas mais calmas continuam a passar despercebidas e “Soldier’s Poem” faz lembrar, sem ofensa, “Unchained Melody” dos Righteous Brothers. Se esquecermos estes intervalos, o cenário nem é assim tão mau.

Para os interessados, o som clássico dos Muse pode ser encontrado em “City of Delusion” ou “Assassin”. Os restantes temas não fogem muito da regra mas acrescentam novas dimensões à música do trio britânico. O melhor exemplo será certamente “Take a Bow”, o tema de abertura que começa a surpreender a meio pela batida electrónica mas que tem uma melodia e um final “em grande”, tipicamente Muse.

“Map of Problematique” também tem boa energia e não há mais nada de novo a dizer. A voz de Bellamy? As melodias? O baixo? A guitarra? Mais do mesmo. Já o mesmo não se pode dizer de “Knights of Cydonia”. Dois minutos de música instrumental cavalgante introduzem o tema ao ouvinte e a partir daí as linhas “No one’s going to take me alive / Time has come to make things right / You and I must fight for the right / You and I must fight to survive” levam-nos às cavalitas durante um enervante (no bom sentido) crescendo final. É uma boa maneira de terminar.

A evolução não é grande mas existe. Ainda assim, para os que se cansam facilmente de crescendos e montanhas russas sonoras pouco dissemelhantes, Black Holes and Revelations poderá não ser o álbum ideal para ouvir mais do que uma vez. Para os fãs dos Muse é apenas mais um e imagina-se que isso seja bom. Eles continuam virados para a astronomia e para o apocalipse mas agora piscam o olho à política. A música já não é novidade nenhuma mas é um estilo bastante identificável com a banda, o que é bom. Afinal, isto é Muse. Inventar talvez não fizesse muito sentido.

7/10 | Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 14, Julho, 2006.

 
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