Um lado da moeda – O rock morreu?

O rock morreu? Não sei, mas se não morreu, está a caminho da cova. No início deste novo século houve uma banda, natural de Nova Iorque, que revisitava as sonoridades pós-punk de finais dos anos 70, início dos anos 80. Essa banda tinha tudo no sítio: imagem, postura e, claro, a música. Eles são os muito conhecidos The Strokes que com a sua estreia Is This It conquistaram meio mundo. A partir daqui foi o caos.

Por todo o lado apelidaram-nos como a salvação do rock e daí até começar um aumento substancial que seguia a mesma linha foi um passo muito curto. Chamaram ao conjunto de bandas que revisitavam a época acima referenciada de bandas de garage-rock, de onde se podem citar, além dos Strokes, Kings of Leon, The Vines e The (International) Noise Conspiracy. Neste saco meteram erradamente os White Stripes que, na altura, já andavam nestas lides há mais tempo.

Agora surgem como cogumelos bandas que querem que a pop do século XXI seja a mesa dos anos 80. E há para todos os gostos, mas também para ultrapassar a paciência de qualquer um. Há aquelas que seguem uma via mais suja e ligada ao punk, como os já (felizmente) extintos Libertines ou os seus muito falados seguidores Arctic Monekys. Há outras que seguem a faceta mais negra do pós-punk, vinda de colectivos como os Joy Division e Chameleon, onde se incluem Interpol (aprovado!), Editors (blhec) ou She Wants Revenge (blhec, blhec, blhec e mil blhecs!). Há outros mais seguidores da new-wave como Franz Ferdinand, Maximo Park, Kaiser Chiefs ou Futureheads (entre mil e uma outras). E ainda há outras que adoram a faceta mais pop e, por vezes, electro, dos anos 80, como os Killers, White Rose Movement ou os mais detestáveis que tudo The Bravery.

Mas estas são apenas algumas das dezenas e dezenas de bandas que têm invadido a música, a maior parte completamente estagnadas no tempo, a matar a pouco e pouco o rock. Claro que há excepções, como Strokes, Interpol ou Franz Ferdinand, mas grande parte só aparecem porque é moda esta sonoridade.

Como é moda, muita da crítica (nomeadamente a inglesa) diz mil e uma maravilhas sobre este tipo de bandas. É uma das culpadas deste fenómeno cada vez mais apático e homogéneo, pois já são tantas que mal se distinguem umas das outras.

A culpa é também da MTV2 que se auto intitula de canal de música alternativa mas que só sabe transmitir vídeos de bandas como We Are Scientists, Boy Kill Boy, The Sounds, The Upper Room, de todas as outras acima referidas e de muitas outras que andam por aí (mas se fosse dizer o nome de todas não saía daqui hoje). E ignora quem gosta de música alternativa actual, moderna. Este canal apenas destaca estas cópias manhosas e mal feitas dos anos 80, que na sua maior parte nem cópias sabem fazer e que, quando as fazem, não são capazes de lhes dar um cunho de personalidade e de actualidade.

Por tudo isto o rock está a morrer (sendo que vivo mesmo vivo também já não andava) e, só para piorar as coisas, este ano já tivemos a infelicidade de ver uma das melhores bandas rock chegar ao fim: as Sleater-Kinney. Também os canadianos Broken Social Scene anunciaram que vão parar durante uns tempos.

Tem sido do Canadá que o rock tem conhecido uma nova vida, com bandas com os já referenciados Broken Social Scene ou Arcade Fire. Estas bandas, mas também os TV On the Radio (que são americanos), têm explorado o rock mas não vivem agarradas a ele. Levam-no para outros lugares, destroem-no e voltam a erguê-lo com novas características.

A música actualmente vive disto, de fusões entre todos os estilos sem olhar a preconceitos, em desconstruções sonoras, capazes de nos dar música actual, viva, e não ultrapassada e já feita e refeita por milhares de bandas.

É por isso necessário que esta vaga de bandas amantes dos anos 80 acabe depressa, porque os resultados já não estão a ser nada agradáveis.

João Moço

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~ por hiddentrack.net em 22, Julho, 2006.

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