27 – Holding On For Brighter Days

Apesar da utilidade descritiva que os géneros de música comportam, cada vez mais se encontram bandas que fogem e se desviam de qualquer rotulagem pré-estabelecida. A crítica musical exige, portanto, um constante actualizar de termos, de palavreado. É natural que assim seja. Estamos a tentar transformar sons em letras, algo terá que ficar por dizer. É comum encontrar bandas que trabalham num limbo entre géneros, que criam música numa plataforma multicolor e de pequenas sugestões. Os norte-americanos 27 são uma dessas bandas. Não são bem indie rock, nem trip hop, nem pop alternativo… são um pouco de tudo isso e ainda mais.

Os 27 são, na verdade, um trio. Maria Christopher, possuidora de uma voz aveludada e melancólica comanda as melodias criadas em conjunto com Neil Coulon, na secção rítmica, e Ayal Naor em tudo o resto. Holding On For Brighter Days é o segundo disco de longa duração da banda, sucede a Animal Life (2002), mas há que contar ainda com dois EP’s bem compostos e algumas colaborações com outras bandas para compreender que esta não é uma banda inexperiente.

Em 2004 os 27 lançaram Let The Light In, um EP que parecia levar o trio para um terreno mais ruidoso e agressivo, assumidamente rock. Esperava-se uma prossecução deste caminho, mas Holding On For Brighter Days não o confirmou. Pelo contrário, este consegue ser o disco mais sintético que a banda criou até agora, predominando os loops e samples que o aproximam bastante do trip hop mais convencional. Mas não se enganem, as composições continuam bastante orgânicas, devido essencialmente à presença constante de guitarras e à voz honesta e despida de Maria Christopher.

A entrada em Holding On For Brighter Days com “Louder Than Words” serve para introduzir o presente estado da banda: um sample de cordas clássicas, um ritmo cadenciado e repetitivo, laivos de piano e a plácida melodia vocal de Maria. “A Million Years” e “The Downfall Of The Upright” por sua vez, são faixas que mantém os 27 no rock de guitarras distorcidas e intensidade electrizante. Esta bipolaridade colide ao longo das dez faixas do álbum e num jogo de forças equivalentes consegue criar uma estabilidade agradável e harmoniosa, isto é, consegue manter o ouvinte interessado.

São necessários apenas dois minutos e meio para que “Closer To You” consiga criar um dos mais belos momentos do álbum. Uma música movida pelo balanço trip hop, sedutora, flutuante e tenuemente suja onde Maria Christopher nos leva por entre paredes de lençóis e corpos rendidos.

Os 27 continuam a progredir pelo seu próprio caminho, criando belas canções calmas e de influências várias. Este é um álbum que, apesar do desvio relativo em relação aos seus antecedentes, mantém o mesmo tom soturno e de tensão emocional espalhada por quilómetros de vida. Holding on for brighter days… estranhamente optimista, não concordam?

8/10 | Gonçalo Sítima

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 28, Julho, 2006.

 
%d bloggers like this: