E a revolução aí à porta

Ou como o SpiralFrog promete mudar muita coisa

A revolução está próxima. O primeiro serviço de download legal e gratuito de música vai chegar aos Estados Unidos e ao Canadá antes do fim do ano e à Europa no início de 2007. SpiralFrog é a empresa americana criada especialmente com o intuito de fornecer este serviço inédito. De uma forma geral, o SpiralFrog promete disponibilizar para download as músicas dos catálogos das editoras (majors e independentes) sustentando-se apenas através das receitas publicitárias. Este é um modelo inovador neste campo específico mas que tem demonstrado muito bons efeitos em campos de acção como o do gigante Google. De acordo com o CEO da empresa, Robin Kent, os lucros provenientes da publicidade serão distribuídos pelos seus parceiros de negócios, nomeadamente as editoras. Neste campo, o Universal Music Group vai já um passo à frente dos restantes. As duas entidades assinaram já um contrato que permitirá aos utilizadores do SpiralFrog fazerem, num futuro próximo, download de músicas de bandas como U2, The Roots ou Kaiser Chiefs.

O aparecimento deste serviço promete dar grandes dores de cabeça aos actuais gigantes do mercado da música digital, o iTunes. No entanto, será difícil não desconfiar do SpiralFrog e da real equivalência entre as suas intenções e aquilo que o serviço será na prática. Será este serviço tão abrangente como o iTunes ou terá apenas meia dúzia de artistas de uma ou outra editora? Quando sair um novo álbum… poderá ser descarregado logo nos primeiros dias ou teremos de esperar meses pela chegada do disco àquele serviço? Como é que a publicidade se disporá no site? Vai ser relativamente sensata ou atacará num estilo “site de warez”?

E os artistas? Terão, certamente, direito a uma parte dos lucros (embora possamos adivinhar uma percentagem reduzida). Quer dizer, pelo menos é o que se espera. E, do ponto de vista das editoras, será que é realmente viável disponibilizar gratuitamente músicas que estão à venda por 15 ou 20 euros num formato tão popular como o CD?

As questões são muitas e, para já, não há respostas claras. No entanto, se este projecto avançar em larga escala, isto é, com a participação de muitas editoras e disponibilização integral dos respectivos catálogos, estamos a assistir à preparação para o lançamento de uma bomba. A palavra “revolução” faz muito mais sentido do que habitualmente nesta indústria. Porque sim, é de indústria que estamos a falar.

Filipe Marques

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~ por hiddentrack.net em 13, Agosto, 2006.

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