We Are Scientists – With Love And Squalor

Criticar o álbum dos We Are Scientists pode parecer, à primeira vista, uma tarefa facilitada e até um pouco entediante. Isto devido à profusão em grande escala de projectos da mesma natureza. Este trio (Keith Murray, guitarra e voz, Chris Cain, baixo e coros Michael Tapper, bateria e coros) provem de três cidades norte-americanas distintas: Texas, Florida e Utah.

Praticam um indie-rock cheio de pujança, mas que se aproxima muito de outras bandas da mesma casta – Hot Hot Heat ou mesmo os The Futureheads. Mas, a verdade, é que o colectivo norte-americano editou três EP’s que serviram de rampa de lançamento para a estreia deste longa-duração.

With Love And Squalor é um trabalho que, no entanto, não deixa ficar mal os We Are Scientists. Logo a abrir, o tema escolhido para tocar nas rádios, de molde a apresentar este LP. “Nobody Move, Nobody Get Hurt” tem todos os condimentos fulcrais para figurar no airplay das rádios durante muito tempo: orelhuda, sim, irritante, não. E o refrão é sobremaneira cativante, até pelo que lá se canta: “My body is your body / I won’t tell anybody / If you wanna use my body / Go for it, yeah”.

É verdade que os Interpol povoam, em espírito, grande parte deste disco, assim como os Editors. Mas, e apesar das referências constantes a outra bandas, julgo que os We Are Scientists têm a sua identidade bem definida. Julgo também que ainda não foi totalmente explorada com este trabalho.

Em “It´s A Hit”,uma das músicas que se destacam neste disco, ouvimos a seguinte incerteza: “But I still don’t understand / What this whole thing’s about / And all the words that you said / Are somehow stuck in my mouth”. É um pouco como nos sentimos quando finalizamos a escuta deste disco.

E chegamos a “Textbook”, a cereja no topo deste bolo de 12 músicas. Não vale a pena adjectivá-la muito. É soberba.

É evidente que o colectivo norte-americano não vai ganhar nenhum prémio pela originalidade. Mas, são mais uma proposta interessante neste início de século. E perfilam-se na grelha de partida das novas bandas. Falta saber quem aguentará esta corrida até ao fim.

No seu site oficial (altamente recomendável), os We Are Scientists definem a sua sonoridade como sendo música rock, por vezes épica, muitas vezes com o volume alto e vagamente dançável. Ninguém os pode acusar de não serem auto-críticos.

Aguardemos serenamente pelo segundo álbum, para saber até onde podem ir os We Are Scientists. Para já, dá-se o benefício da dúvida. E With Love And Squalor merece ser ouvido.

7/10 | Pedro Correia

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~ por hiddentrack.net em 15, Agosto, 2006.

 
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