Wraygunn ao vivo em Almada

:: 24 de Agosto de 2006

O espaço que albergou o concerto dos Wraygunn na quinta-feira, 24, não é o supra-sumo de qualquer recinto destinado à música, ou qualquer outro evento. A divulgação do mesmo (para quem não é uma habitué do centro comercial em questão) foi deficiente, foi preciso comprar um jornal (que nem é o que costumo comprar) para me deparar com uma agenda cultural em letras minúsculas. Foi assim que descobri que o Wraygunn iam tocar em Almada.

Reclamações à parte, a banda de Paulo Furtado não deixou créditos por mãos alheias, e provou uma vez mais que os Wraygunn são uma das bandas mais interessantes e inteligentes do panorama nacional, ainda a passarem despercebidos q.b.

Passava pouco das nove e meia quando se começou a ouvir “There but for the grace of god go I”, do último álbum da banda – Eclesiastes – originalmente editado em 2004. A aparição de Paulo Furtado (que divide o protagonismo com Raquel Ralha numa razão de 60-40, atirando os restantes membros para uma posição quase de figurante) foi discreta ao início, como é costume, mantendo-se algo distante. Ao primeiro tema seguiu-se a arrojada “Soul city”, que exigia imediatamente uma movimentação do corpo, o chamado pézinho de dança.

O público, esse, composto essencialmente por visitantes do centro comercial que tinham ido apenas espreitar o que se passava, manteve-se praticamente estático durante todo o concerto.

Com Eclesiastes à cabeceira e uma incursão pelo anterior Soul Jam de 2001 (com os temas “Snapshot”, “Lonely” “Going down” e “Ain’t gonna break my soul”), os Wraygunn apresentaram um rock & roll desinibido e a tocar o sexy vezes sem conta, quer pelas interpretações de Raquel, quer pelas movimentações e intervenções de Paulo Furtado, irrepreensível na guitarra.

“Keep on prayin’” e “Snapshot” mostraram que é impossível resistir aos estímulos sonoros com que os nossos cérebros eram brindados e não dançar esteve absolutamente fora de questão. “You really got me” juntou-se a “Soul City” no pacote dos temas mais electrizantes e poderosos do repertório apresentado pelos Wraygunn na quinta-feira.
Entre a transpiração da sensualidade que emanou da actuação, houve ainda espaço para “Lonely”, versão do original de Frederick Night.

Foi num ambiente digno da National Geographic – assim descrito por Paulo Furtado, devido aos arbustos colocados junto ao palco, a verdadeira primeira fila – que os Wraygunn encerraram o concerto, com “Juice” e All night long”. O último tema incluiu a habitual incursão de Paulo Furtado pelo público, clamando por amor, que acabaria por lhe ser oferecido não por uma mulher entre as demais presentes, mas justamente por um desses arbustos estrategicamente colocados em frente ao palco e com o qual Paulo Furtado acabaria mesmo a simular a sublimação desse amor. O arbusto acabaria em cima do palco, em revelado protagonismo.

Assim terminou o concerto dos Wraygunn, que espelhou uma vez mais a genialidade na guitarra e as fortes capacidades de entertainer de Paulo Furtado.

Inteligente e inevitavelmente atraente.

:: Alinhamento:
“There but for the grace of god go I”
“Soul city”
“Don’t you know?”
“Ain’t gonna break my soul”
“Going down”
“Keep on prayin’”
“Drunk or stoned”
“Snapshot”
“Sometimes I miss you”
“Lonely”
“How long, how long?”
“You really got me”
“She’s a speed freak”
“Juice”
“All night long”

texto e fotos: Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 24, Agosto, 2006.

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