Pearl Jam ao vivo no Pavilhão Atlântico

:: 5 de Setembro de 2006

É imperativa a questão: como é possível conseguir-se prolongar em cerca de duas horas e meia uma espiral de estímulos musicais uns atrás dos outros? A resposta é só uma e fica a cargo da presença dos Pearl Jam.

A 5 de Setembro, os Pearl Jam deram o seu quinto concerto em solo português. A primeira parte iniciada às 20h30 ficou encarregue aos My Morning Jacket que, apesar de terem feito o que é suposto uma banda fazer nas primeiras partes de todos os concertos, foram um pouco vítimas da falta de atenção ou até mesmo da indiferença do público face ao que realmente esperavam nas horas que se seguiam. Deram um espectáculo bastante atractivo, o som era bastante convidativo ao célebre abanar do pézinho mas a verdade é que os temas pareciam repetir-se e aquilo que poderia distrair a ânsia de se ouvir e ver a banda principal acabou por se tornar numa súplica para que a banda terminasse o seu alinhamento o mais depressa possível. Era visível a falta de interesse que habitava na grande maioria do público e, portanto, não foi de estranhar a reacção efusiva assim que estes se despediram depois dos agradecimentos breves.

Após uns minutos, esperava-se o momento crucial em que os Pearl Jam iriam entrar em palco e começar o que viriam a ser cerca de duas horas e meia de puro espectáculo.

Às 21h 45 minutos começa-se a ouvir “Severed Hand”. A reacção da plateia em massa foi a de aplausos, gritos e todo o tipo de reacção que pode surgir de quem espera muito e se encontra diante daquilo que, para muitos, parece ser um holograma. Que se refira que não era; não houve sequer margem para dúvidas.

As pausas entre as músicas foram pouquíssimas dando lugar apenas às tentativas de Eddie Vedder experimentar o Português, agradecendo algumas prendas que lhe foram entregues. Entre elas, um cavaquinho oferecido por um grupo de pessoas de um fórum português (PearlJammerspt.com) que Vedder agradeceu convenientemente na tentativa de explorar a língua portuguesa. O resultado em todas as incursões não foi o melhor, mas tem de se tirar o chapéu às tentativas que encheram de orgulho os milhares de ouvidos portugueses ali presentes só por ouvir umas palavras que soavam a algo parecido a Português da boca de Vedder.

Foi em “Even Flow” e “Keep on Rockin’ In The Free World” que se pôde presenciar a eficácia na força e poder da banda que aguentaram tanto um tema como outro de maneira a fazer crer que estes não teriam fim. Foi incrível. Imaginem ouvir aquele vosso tema preferido que, por mais que o tenham ouvido, não se conseguem fartar. Agora multipliquem a sensação por mil. Aí têm. Foi algo de muito similar a isso.

Neste dia 5 de Setembro, os Pearl Jam tiveram lugar no seu alinhamento para tocarem o já referido tema “Keep On Rockin’ In The Free World”, uma cover de Neil Young e “I Believe In Miracles” dos Ramones. Esta segunda cover foi apresentada com palavras um tanto emocionadas dirigidas ao já falecido Joey Ramone.

Foi pela altura da primeira cover que as luzes começavam a acender-se e a meio do palco se via aparecer uma bola de espelhos que poderia parecer fora de contexto. Veio a resultar num elemento surpresa que veio a contentar ainda mais o público que a esta altura estava mais que convencido e embriagado nesta dose de boa hipnose musical.

Foram trinta e um temas tocados. E foram milhares de pessoas em êxtase a abandonar o recinto. Muitas delas viram-nos pela primeira vez, outros vieram aproveitar mais uma vez a experiência incrível que é poder assistir-se a um concerto deste nível.

Portugal foi dos poucos países que teve a experiência quase inédita de ter alinhamentos tanto no dia 4 como no dia 5 de Setembro que diferem em largos minutos de concertos noutros países como a Bélgica, com cerca de 2 horas e 14 minutos de música.

Parafraseando alguém na plateia: “Há concertos e concertos, e depois há Pearl Jam!”.

As palavras finais só podiam reservar um espaço para lá de merecido a adjectivos como: fenomenal e surpreendente. Espera-se que não se tenha de se esperar mais seis anos para que aconteça de novo. E espera-se que a banda continue por muitos e longos anos.

Texto: Maria Rocha
Fotos: Pedro Santana Santos

Alinhamento:

“Severed Hand”
“Corduroy”
“Hail Hail”
“Save You”
“World Wide Suicide”
“Dissident”
“Even Flow”
“Army Reserve”
“Whipping”
“State Of Love And Trust”
“I Got Id”
“Garden”
“Do The Evolution”
“Sad”
“Daughter (It’s Ok)”
“Insignficance”
“Black”
“Rearviewmirror”

Encore 1:
Improv.
“Come Back”
“I Believe In Miracles”
“Big Wave”
“Once”
“Footsteps”
“Alive”

Encore 2:
“Wasted Reprise”
“Better Man”
“Smile”
“Why Go”
“Keep On rockin’ In The Free World”
“Yellow Ledbetter”

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~ por hiddentrack.net em 5, Setembro, 2006.

Uma resposta to “Pearl Jam ao vivo no Pavilhão Atlântico”

  1. PALMAS PARA A MARIA!!!!

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