Junior Boys – So This Is Goodbye

Todos os dias aparecem novas formas de conceber a música pop. Todos os dias aparecem novos artistas a querer dar a sua visão do que é a música pop, tentando alguns renová-la, outros nem por isso. Uns juntam-lhe mais rock, outros electro, outros house ou techno ou outras músicas ditas “de dança”, outros hip hop ou r’n’b, outros folk, mas cada um à sua maneira revela o que é para si a música pop.

Os Junior Boys são uns desses colectivos que quer dar à música pop a imagem que eles conceberam dela. Como já me disse alguém, a música dos Junior Boys é a pop do futuro, ou o que desejávamos que ela fosse nesse tal futuro. Mas nesse futuro de que falamos, haverá outra banda a querer fazer a pop dum futuro ainda mais longínquo. Tudo isto é um processo constante e imparável, e por isso fascinante.

Em 2004 fizeram as maravilhas de muitos com Last Exit. A indie electrónica no seu melhor, onde pop, algum house, beats devedores das novas linguagens r’n’b se conjugavam. Entretanto Johnny Dark, que juntamente com Matt Didemus é o principal responsável pela sonoridade de Last Exit, abandona o colectivo. Com ele parece que levou os beats atrás mencionados. Ficaram assim apenas Matt Didemus e o vocalista Jeremy Greenspan. Este último tem um notável destaque no disco. Canta com delicadeza, mas com a perfeita consciência das palavras que está a proferir. Faz lembrar um crooner pós-moderno, talvez futurista. Daí terem feito uma cover do standard “When No One Cares” de Frank Sinatra.

Pelos Junior Boys o tema torna-se o standard do século XXI por excelência. Greenspan canta sobre solidão, mas como estivesse acima desse sentimento, com um piano a marcar a tensão, sintetizadores ambientais em pano de fundo e um bater de asas minúsculas e inofensivas a rondar-nos a cabeça. Começamos So This Is Goodbye com “Double Shadow”. Batidas a remeter para o house, electro a pairar por todo o lado e uma sensibilidade pop que se sente em todo o disco. Neste tema são os Booka Shade na sua versão mais pop.

Greenspan não canta sobre coisas propriamente agradáveis. A solidão, o desespero e a melancolia são permanentes. Neste “Double Shadow” sente-se perseguido por alguém que, tal como uma sombra, nunca se separa dele, daí a repetição constante de “you’re my double shadow”.

Um dos momentos altos do disco ouve-se logo a seguir em “The Equalizer”. A voz de Greenspan encontra-se em visível destaque, a cantar sobre um amor perdido, mas que parece que se regozija porque a ex-cara metade não estará propriamente feliz também. Ao início lembramo-nos num comboio em movimento, mas logo a seguir a ideia desaparece para entrarem as palmas que produzem a batida ao longo do tema. Ouve-se sintetizadores singelos, a dançarem por um paraíso imaginário e outros que vão aparecendo no seu estilo quase serpenteante.

Queremos dançar ao som do coração despedaçado de Greenspan em “First Time”. A batida é minimalista, os beats synth-pop que a acompanham são quase hipnotizantes e ouve-se um coro a acompanhar a voz de Greenspan vindo dum abismo. Durante todo o disco existe esta sensação. Isto é uma espécie de música de dança para corações solitários, que a ouvir esta música processam a sua catarse. Até mesmo em “In The Morning”, que, instrumentalmente, é alegre. Este é daqueles discos que por mais audições que se façam existe sempre um pormenor que nos escapou.

So This Is Goodbye está repleto de batidas house com uma certa dose de melancolia, de melodias cuidadosamente criadas pelos sintetizadores que vão espalhando electro-pop e uma miríade de sons sintéticos leves e gélidos, produzindo um limbo onde almas solitárias dançam com prazer a tristeza que ouvem e sentem.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 17, Setembro, 2006.

 
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