Muse ao vivo no Campo Pequeno

Esgotado há algumas semanas, a Praça de Touros do Campo Pequeno recebeu o primeiro concerto depois da remodelação. Os Muse actuaram pela sexta vez em Portugal e explicaram por que razão não cabia mais ninguém na sala.

:: 26 de Outubro de  2006

O passeio na Via Láctea

Um atraso por culpa de um bilhete que ainda vinha a caminho fez com que a entrada na renovada Praça de Touros do Campo Pequeno se fizesse já bem perto das nove da noite. Ficou assim perdida a actuação dos catalães Poet in Process, dos quais só foi possível assistir às duas últimas músicas. A espera que se seguiu foi caracterizada por uma dualidade de sentimentos: a angústia/desconforto de quem jamais se imaginara numa praça de touros e se via no meio da arena; e a curiosidade e ansiedade de assistir a um concerto que tinha tudo para se tornar memorável.

Passava pouco das dez quando soaram os primeiros acordes de “Take a bow”, tema do último trabalho dos Muse – Black Holes And Revelations (2006). Surge Matthew Bellamy, de preto e branco. Faz uma vénia. Passavam dois minutos do início do concerto e o recinto da Praça de Touros curvava-se perante o trio de Devon. Seguiu-se a primeira incursão por Absolution (2003), com “Hysteria”, o primeiro grande momento de sing-along.

Os Muse apresentaram um alinhamento bastante equilibrado, mesmo incidindo claramente nos dois últimos álbuns da banda. O aparato cénico, esse, estava igualmente bem estruturado e o set de luzes bastante bom (embora às vezes mais claro do que se desejaria). Os Muse não são uma banda essencialmente conversadora, mas a verdade é que quem vai a um concerto não está à espera de assistir a uma tertúlia. Não se abusa do discurso, é um acessório. Um ecrã projectava pontos luminosos mais ou menos disconexos, imagens da Via Láctea (em “Starlight”), animações tipo “Transformers” e até uma espécie de mega karaoke no último tema, “Knights of Cydonia”. E o prisma de luz que encobria o baterista Dominic Howard (que encoberto ou não, foi brilhante, ainda que severamente ofuscado por Bellamy), cativante pela forma, envolvente.

Visualmente enternecedores, a verdade é que os Muse dispensavam qualquer destes elementos cénicos. Bellamy na guitarra ou no piano desarmou qualquer um e foi impossível não sentir o mínimo arrepio com as interpretações sublimes (perfeitas?!) de “Apocalypse please” ou “Invincible”. Estes temas foram os que deixaram mais bocas abertas num “ah!” ou outras expressões de perplexidade. “Plug in baby” foi a mais esperada visita a Origin Of Symmetry (2001), mas a sequência “Invincible”, “Supermassive black hole”, “Starlight” e “Time is running out” (com algumas escaramuças menores pelo meio) foi a que mais abanou o recinto.

Para o fim ficou a desejada “Muscle museum”, de resto a única passagem por Showbiz (1999). Faltaram “Unintended” e “Feeling good” – é o eterno problema das escolhas dos que fazem música genialmente boa.

E tudo terminou com uma explosão de fumo e a certeza de ter sido uma privilegiada por ter assistido a este concerto, sem sombra de dúvida um dos melhores do ano.

Alinhamento:
“Take a bow”
“Hysteria”
“Map of the problematique”
“Butterflies and hurricanes”
“New born”
“City of delusion”
“Plug in baby”
“Forced in”
“Bliss”
“Apocalypse please”
“Hoodoo”
“Invincible”
“Supermassive black hole”
“Starlight”
“Time is running out”
“Stockholm syndrome”
“Citizen erased”
“Muscle museum”
“Knights of Cydonia”

Texto: Susana Jaulino
Fotos: Ana Filipa Vaz

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~ por hiddentrack.net em 26, Outubro, 2006.

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