Civic + Hematoma + AngelinPain no Culto Bar

Numa noite quente à beira-rio, o Culto Bar albergou três bandas portuguesas: WitchBreed sob o nome de AngelinPain, Hematoma e Civic, os cabeças de cartaz.

:: 27 de Outubro de 2006

Os concertos tinham início marcado para as 22 horas, mas a hora a que começaram esteve bem longe disso. De qualquer forma, o atraso artístico serviu como deixa e ajudou a que a curiosidade, que se sentia em relação às bandas consideravelmente desconhecidas, aumentasse e se ocupasse um pouco por todos os presentes.

A primeira banda a pisar o palco e a dar início a uma noite repleta de surpresas foi AngelinPain. Na verdade, o nome da banda é WitchBreed e neste dia 27 de Outubro deram o seu primeiro concerto. Foi a estreia dos WitchBreed sob um pseudónimo. A actuação pautou por uma energia liderada por Ruby, a vocalista e o único elemento feminino da banda, que foi conquistando a atenção para o que se passava em cima de um palco rodeado de uma aura negra e que se encaixava de forma perfeita com o efeito surpresa da estreia de uma banda que se apresentava com o nome de um anjo em sofrimento. É apenas de lamentar que o som estivesse excessivamente alto e que não tivesse dado a oportunidade a um melhor desempenho da banda.

Os WitchBreed apresentaram uma sonoridade que facilmente se pode inserir na categoria de dark metal progressivo e que alia de forma inteligente a abordagem mais suave de Ruby a um som mais heavy vindo dos músicos que a acompanham. São eles: Filipe Sousa (ex-Shadowsphere) na guitarra, Dikk na outra guitarra, Tiago na bateria e Ares (ex-Moonspell) no baixo.

No conjunto, foi uma bela introdução para o que se seguiria.

Depois de uma curta pausa de uma debandada quase geral e de mais umas bebidas pelo meio, parece que o recinto do Culto Club encheu. Ainda fora do Bar se começam a ouvir os primeiros acordes da seguinte banda: Hematoma.

A banda, para muitos, conhecida no underground do thrash metal nacional, mas para outros, como foi o meu caso, era completamente desconhecida. E nada melhor do que não se estar à espera de um concerto de tal calibre. Dotados de uma presença em palco fenomenal e de ostentarem uma aura de perícia no que fazem marcaram sem dúvida a noite de dia 27 de Outubro. O som reportou muitos dos presentes para ambientes com os quais foram crescendo. Há nomes aos quais não se pode fugir, é o caso de Pantera, Metallica e Megadeth. Muito mais haverá, mas assim que se começam a ouvir os solos alternados entre os guitarristas e o baixista há imediatamente aquela sensação de reconhecimento mesmo sem nunca os ter visto antes e sequer se ter ouvido falar deles. Foi isso que aconteceu. É isso que acontece quando se ouve Hematoma: uma viagem de regresso ao passado na qual se reconhecem não só o som de bandas-ícone da cena musical mais pesada, como também novos atributos, e o cunho pessoal de cada um dos elementos da banda.

Após a agraciada actuação dos Hematoma, era a vez dos Civic ocuparem o palco e fazerem vingar a responsabilidade de serem os cabeça de cartaz ao levarem ao rubro a plateia que ainda se compôs ainda mais depois destes pisarem o palco e começarem os primeiros acordes. Precedidos por um som heavy, os Civic tinham uma tarefa um tanto complicada que era agradar a parte da plateia que, à partida, não parecia estar muito predisposta a ouvi-los.

O recinto encheu de facto, ficando somente a parte superior vazia até ao final de todas as actuações e reservada para um par de pessoas, mas a verdade é que pareciam estar presentes alguns curiosos. E com algum espanto essa curiosidade foi-se dissipando e transformou-se em aprovação e à rendição do que esteve aos olhos de todos: um concerto cheio de energia e de puro rock.

Sérgio Francisco, o vocalista e também guitarrista, liderou a plateia como bem entendeu e até os tais curiosos se renderam. A banda além de tocar músicas do seu primeiro trabalho Ghosts and Shadows (2005) reservou ao público a surpresa de apresentar duas das faixas que irão compor o próximo trabalho da banda que, segundo eles, estará para breve.

A par de Sérgio Francisco, os restantes elementos da banda entregaram-se de corpo e alma, literalmente, àquele momento ficando inundados de calor humano ao fim de poucas músicas tocadas. Chikko parecia transitar de um mundo privado, de quem toca para si, para um universo repleto de mãos e braços que se erguiam a cada nota mais pesada. Sheriff equilibrava a actuação das guitarras com o seu baixo e Quim compôs todo o ritmo que ordenava os movimentos e até o pequeno mosh que se deu.

Os Civic terminaram a noite extasiados e com inúmeros pedidos de mais um encore.

Foi uma noite para não esquecer e, se possível, para se repetir.


Maria Rocha

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~ por hiddentrack.net em 27, Outubro, 2006.

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