Linda Martini ao vivo no Santiago Alquimista

Foi uma sala a abarrotar que recebeu os Linda Martini, para o concerto de apresentação do primeiro álbum da banda – Olhos de Mongol. O concerto, ora intimista ora epilético, provou que os Linda Martini têm que ser seguidos de perto.

:: 27 de Outubro de 2006

“De borla ou à pala?”

Quando se ouve a palavra “gratuito” já se sabe que seja lá o que for, vai encher, vai esgotar, não vai chegar para toda a gente. Foi o que aconteceu no Santiago Alquimista. A sala não prima exactamente pelo espaço, embora este até seja bem agradável. Mas estava muita gente, tanta gente que alguns não conseguiram entrar para assistir ao concerto dos Linda Martini, em jeito de celebração pelo lançamento do primeiro álbum da banda, Olhos de Mongol. Foi então uma sala em hora de ponta que recebeu o grupo, pouco depois da hora prevista para o início do concerto – onze e meia.

Os Linda Martini são uma daquelas bandas que nos conseguem arrastar e agitar simultaneamente, e mesmo que o concerto tenha tido silêncios em dose bastante bem servida, o principal – a apresentação do álbum –, deixou à vista bons trunfos contidos nos Olhos de Mongol.

O alinhamento assentou essencialmente no álbum da banda, que dará o primeiro grito oficial no dia 10 de Novembro, e ficaram a vibrar-nos “Dá-me a tua melhor faca”, “O amor é não haver polícia”, a já conhecida (para alguns) “Estuque” e a voz de José Mário Branco intercalada com a harmónica de Cláudia Guerreiro (no baixo) num bom momento de pós-rock com nuances de progressivo pelo meio. Falou-se em temas demasiado longos, ou com pouca aposta num registo vocal, mas a música que os Linda Martini fazem assenta numa exploração das guitarras (sem desprestígio das partes que completam este todo) e a presença das cordas vocais torna-se cada vez mais desnecessária. A prova está dada. Quem já viu os Linda Martini ao vivo sabe que existe um ponto incontornável nos concertos do quinteto: “Amor combate”. Desta vez, porém, com a casa cheia esperava-se um coro mais coeso para acompanhar aquele que poderíamos considerar o hit da banda.

No meio dos temas que compõem o trabalho, não passou em branco o EP homónimo editado em 2005: “Efémera” (um dos momentos, entre tantos é certo, onde mais se destacou Hélio Morais na bateria) e “Este mar”.

Para o fim, e em jeito de missão cumprida, “Lição de voo nº 1” (o melhor tema da banda) a encher por completo a barriga de quem já os conhecia e a deixar positivamente despertos os estreantes; quer pela música em si, quer pelo bailado frenético das guitarras, um movimento (bem) trazido da vaga noise que salpica o som da banda aqui e ali, como se vira também em “A severa”.

Com o fim, a digestão de cerca de uma hora de música que ainda zumbe nos ouvidos e que para já, faz da audição de Olhos de Mongol um gesto no mínimo recomendável.

Texto: Susana Jaulino
Fotos: Sílvia Dias

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~ por hiddentrack.net em 27, Outubro, 2006.

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